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Aperto no Coração: 7 Causas Possíveis

Ansiedade
Aperto no Coração: 7 Causas Possíveis — imagem de capa do artigo da Sua Clínica com pessoa a sentir uma pressão no peito

Está sentado tranquilamente e sente, de repente, uma pressão no peito.

O coração parece bater mais depressa.

Tenta inspirar profundamente, mas tem a sensação de que o ar não chega.

E aparece imediatamente um pensamento:

“E se for o coração?”

Agora presta atenção a cada batimento.

O coração acelera ainda mais.

A respiração muda.

O peito fica mais tenso.

E aquilo que começou como uma sensação física transforma-se rapidamente em medo:

“Estou a ter um enfarte?”

“Vou desmaiar?”

“Consigo respirar?”

“Devo ir às urgências?”

Um aperto no coração é uma expressão popular utilizada frequentemente para descrever aperto no peito, pressão, peso, desconforto ou uma sensação de constrição na região torácica.

Pode estar associado à ansiedade e aos ataques de pânico, mas também existem múltiplas causas cardíacas, respiratórias, digestivas e musculares para sintomas semelhantes. Por isso, um aperto ou dor no peito, sobretudo quando é novo, intenso ou acompanhado de outros sinais preocupantes, não deve ser automaticamente atribuído à ansiedade.

Depois de causas médicas relevantes terem sido adequadamente avaliadas, contudo, é possível que o problema esteja a ser produzido ou amplificado por ansiedade.

E é aqui que surge um ciclo psicológico particularmente poderoso:

sensação física → medo → activação do organismo → mais sintomas físicos → mais medo.

Compreender esse ciclo é muitas vezes o primeiro passo para o quebrar.

Aperto no coração: o que significa esta sensação?

Quando alguém diz que sente um aperto no coração, normalmente não está a identificar anatomicamente uma sensação dentro do coração.

Está a descrever aquilo que sente na região do peito:

  • aperto;
  • pressão;
  • peso;
  • constrição;
  • dor;
  • tensão;
  • palpitações;
  • dificuldade em respirar;
  • sensação de não conseguir inspirar profundamente.

Em inglês clínico, a expressão equivalente seria frequentemente chest tightness.

Existem muitas causas possíveis. A Healthline enumera, entre outras, ansiedade, doenças cardiovasculares, problemas pulmonares, refluxo gastroesofágico e alterações musculoesqueléticas.

Isto explica uma regra fundamental:

a localização da sensação, por si só, não permite determinar a causa.

Pode existir uma causa psicológica.

Pode existir uma causa física.

E, por vezes, podem existir as duas ao mesmo tempo.

Pessoa com a mão no peito a respirar devagar, sentindo um aperto no coração
Reduzir progressivamente o ritmo da respiração pode ajudar a acalmar a sensação.

Aperto no coração: pode ser provocado pela ansiedade?

Sim. A ansiedade pode provocar aperto no coração ou, mais precisamente, uma sensação de aperto no peito.

Quando sentimos medo ou ameaça, o organismo activa mecanismos destinados a preparar-nos para reagir.

O ritmo cardíaco pode aumentar.

Os músculos ficam mais tensos.

A respiração pode tornar-se mais rápida ou superficial.

A atenção concentra-se naquilo que parece perigoso.

Tudo isto faz sentido quando existe um perigo real.

O problema é que o sistema de alarme também pode ser activado por pensamentos.

Imagine:

“Senti uma palpitação.”

Imediatamente pensa:

“Pode ser o coração.”

O cérebro interpreta perigo.

O sistema de alarme activa-se.

O ritmo cardíaco sobe.

A musculatura torácica fica mais tensa.

A respiração muda.

Agora existem mais sensações físicas do que no momento inicial.

E essas sensações parecem confirmar:

“Eu sabia. Há qualquer coisa errada.”

A ansiedade passou de reacção ao sintoma a parte do mecanismo que o intensifica.

A resposta de luta-ou-fuga associada ao stress envolve tensão muscular e alterações respiratórias e cardiovasculares que podem contribuir para a sensação de aperto torácico.

Aperto no coração: quais são os sintomas físicos da ansiedade?

Um aperto no coração raramente aparece isolado quando faz parte de uma resposta ansiosa.

Podem surgir simultaneamente:

  • palpitações;
  • coração acelerado;
  • aperto no peito;
  • pressão no peito;
  • falta de ar;
  • respiração rápida;
  • sensação de não conseguir inspirar completamente;
  • tonturas;
  • tremores;
  • suor;
  • tensão muscular;
  • formigueiro;
  • sensação de fraqueza;
  • náuseas;
  • desconforto abdominal;
  • sensação de calor ou frio.

A ansiedade pode também produzir uma sensação de ameaça aparentemente incompatível com aquilo que está realmente a acontecer:

“Algo terrível vai acontecer.”

Healthline identifica chest tightness, batimento cardíaco forte, respiração rápida, tonturas e tensão muscular entre manifestações que podem acompanhar a ansiedade.

Estes sintomas são reais.

Dizer que têm origem ansiosa não significa dizer que são imaginados.

Significa que o próprio funcionamento fisiológico associado à ansiedade pode produzi-los.

Aperto no coração: como se relaciona com ansiedade e palpitações?

A combinação entre ansiedade e palpitações é particularmente propícia à criação de um círculo de medo.

O coração não bate sempre exactamente da mesma maneira.

Podemos sentir um batimento mais forte.

Uma aceleração.

Uma pequena alteração momentânea.

Muitas pessoas quase não dão importância.

Mas alguém com elevada ansiedade pode fazer imediatamente uma leitura diferente:

“Porque bateu assim?”

Começa a monitorizar.

Põe dois dedos no pulso.

Conta os batimentos.

Volta a medir.

Compara com aquilo que encontrou na Internet.

A própria preocupação aumenta a activação.

Agora o coração está realmente mais rápido.

Surge um aperto no coração.

A conclusão parece óbvia:

“Está a piorar.”

Isto é um exemplo de hipervigilância corporal: quanto mais atenção prestamos a uma determinada função corporal, maior é a probabilidade de detectarmos pequenas variações.

Uma revisão de 2024 sobre dor torácica não cardíaca identifica precisamente ansiedade, perturbação de pânico, hipervigilância a sensações cardiopulmonares e medo relacionado com o coração entre os factores psicológicos relevantes nestes pacientes.

Aperto no coração: porque a falta de ar pode surgir com ansiedade?

A falta de ar é outro sintoma que pode transformar rapidamente um aperto no coração numa situação assustadora.

A pessoa tenta inspirar.

Sente que a inspiração não é satisfatória.

Então tenta inspirar ainda mais profundamente.

Uma vez.

Outra.

Outra.

Quanto mais tenta controlar a respiração, mais consciente fica dela.

Durante estados de ansiedade, a respiração pode tornar-se rápida ou superficial. Algumas pessoas começam também a hiperventilar, alterando o equilíbrio respiratório e produzindo sensações como tonturas, formigueiro, opressão torácica ou sensação de falta de ar.

Isto pode criar um paradoxo:

quanto mais desesperadamente tenta “apanhar ar”, mais anormal parece a respiração.

A sensação é suficientemente forte para que a pessoa pense:

“Não estou a receber oxigénio.”

Mas sentir dificuldade respiratória não permite determinar sozinho a sua causa.

A falta de ar também pode acompanhar doenças cardíacas e respiratórias e, quando é nova, intensa ou preocupante, necessita de avaliação médica.

Aperto no coração: qual é a relação com ataques de pânico?

Um aperto no coração pode surgir durante ataques de pânico.

O ataque de pânico envolve uma subida intensa de medo acompanhada por sintomas físicos e cognitivos.

A pessoa pode sentir:

coração acelerado;

palpitações;

aperto ou dor no peito;

falta de ar;

tonturas;

tremores;

suores;

sensação de perda de controlo;

medo de morrer.

É fácil compreender porque alguém que nunca teve um ataque de pânico pensa:

“Estou a ter um enfarte.”

As sensações são intensas e surgem frequentemente com enorme rapidez.

O problema pode continuar mesmo depois de o ataque terminar.

Agora aparece outro medo:

“E se voltar a acontecer?”

A pessoa começa a evitar locais onde acredita que seria difícil obter ajuda.

Transportes.

Centros comerciais.

Conduzir.

Ficar sozinho.

Fazer exercício.

A partir deste momento, já não existe apenas medo durante o ataque.

Existe medo do próximo ataque.

A literatura clínica associa fortemente perturbação de pânico e dor torácica não cardíaca, razão pela qual o diagnóstico diferencial entre causas médicas e psicológicas é tão importante.

Pessoa a verificar repetidamente o pulso em casa devido a um aperto no coração
Verificar repetidamente o pulso costuma aumentar a preocupação, não reduzi-la.

Aperto no coração: como começa o ciclo medo-sintoma-medo?

Um dos mecanismos mais úteis para compreender o aperto no coração relacionado com ansiedade é este:

1. Sensação física

Sente uma palpitação.

2. Interpretação

“Pode ser um enfarte.”

3. Medo

A ansiedade dispara.

4. Activação física

Aumenta o ritmo cardíaco, a tensão muscular e altera-se a respiração.

5. Mais sintomas

Agora sente pressão no peito, coração acelerado e falta de ar.

6. Confirmação aparente

“Está a piorar. Portanto deve mesmo ser o coração.”

7. Mais medo

E o ciclo intensifica-se.

Este mecanismo não significa que a sensação inicial fosse necessariamente causada pela ansiedade.

A palpitação poderia ter sido uma variação normal.

O que a ansiedade fez foi atribuir-lhe uma interpretação ameaçadora e amplificar a resposta corporal.

A psicologia da dor torácica reconhece há décadas que medo, ansiedade, pânico e interpretação das sensações corporais podem contribuir para sintomas persistentes, mesmo depois de avaliações cardíacas tranquilizadoras.

Aperto no coração: porque o medo de enfarte torna os sintomas mais intensos?

Poucas sensações produzem tanto medo como um aperto no coração.

Se dói um joelho, pensamos no joelho.

Se dói o peito, podemos pensar imediatamente:

“Coração.”

E coração significa, para muitas pessoas:

“Posso morrer.”

Esta associação altera completamente a experiência da sensação.

A atenção concentra-se no peito.

A pessoa monitoriza a respiração.

Verifica o pulso.

Procura sinais de tontura.

Pergunta-se se o braço está dormente.

Quanto mais procura sintomas, mais sensações encontra.

Uma investigação clássica sobre dor torácica chamou precisamente a atenção para a dificuldade que sintomas no peito representam para médicos e psicólogos: a associação imediata entre dor torácica e enfarte gera elevado sofrimento, e sintomas podem persistir mesmo perante avaliações cardíacas tranquilizadoras.

O medo não demonstra que a dor é psicológica.

Mas pode explicar porque uma sensação inicialmente moderada se transforma numa experiência extremamente intensa.

Aperto no coração: como distinguir ansiedade de um problema cardíaco?

Esta é a questão mais importante — e a resposta é menos cómoda do que muitas páginas da Internet fazem parecer:

não deve tentar fazer sozinho um diagnóstico seguro apenas pelas características da dor.

Há padrões que podem sugerir determinadas causas, mas existe sobreposição suficiente para justificar prudência.

Problemas cardíacos podem produzir pressão ou desconforto central no peito, por vezes com irradiação para braço, ombro, maxilar, costas ou abdómen e sintomas como falta de ar, suor frio ou náuseas.

A ansiedade também pode produzir:

pressão;

dor;

palpitações;

suores;

dificuldade respiratória;

tonturas.

É exactamente por isso que a diferenciação médica é importante.

O Northern Heart Hospital salienta que dor persistente, agravada pelo esforço ou acompanhada de sintomas como suor e náuseas não deve ser autodiagnosticada como stress ou ansiedade.

A regra prática mais segura é:

uma pessoa pode aprender a reconhecer o seu padrão de ansiedade depois de este ter sido adequadamente avaliado; não deve utilizar um diagnóstico anterior de ansiedade para ignorar automaticamente um sintoma novo ou significativamente diferente.

Aperto no coração: quando devo procurar ajuda médica urgente?

Um aperto no coração pode necessitar de avaliação urgente, sobretudo quando existe suspeita de uma causa cardíaca ou respiratória.

Procure assistência médica urgente perante dor ou pressão no peito particularmente intensa, nova ou persistente, sobretudo quando acompanhada por sinais como:

  • dificuldade respiratória significativa;
  • suor frio;
  • náuseas;
  • desmaio ou sensação de desmaio;
  • dor que se estende ao braço, maxilar, ombro ou costas;
  • sintomas associados ao esforço;
  • agravamento rápido;
  • ou qualquer quadro que lhe pareça uma emergência.

Healthline é clara: perante suspeita de enfarte, deve procurar imediatamente assistência médica de emergência.

Em Portugal, perante uma emergência, contacte o 112.

Um artigo sobre ansiedade não serve para excluir uma emergência cardíaca.

Primeiro segurança.

Depois interpretação psicológica quando apropriado.

Aperto no coração: dor no peito por ansiedade significa que a dor é imaginária?

Não.

A expressão dor no peito por ansiedade descreve uma possível origem ou amplificação psicológica do sintoma.

Não significa:

“Está a inventar.”

A activação do sistema nervoso pode produzir alterações concretas.

Tensão muscular.

Respiração acelerada.

Aumento da frequência cardíaca.

Maior sensibilidade às sensações corporais.

A psicóloga clínica Rachel Whatmough descreve a ansiedade associada a dor torácica como uma situação em que o sistema protector do organismo se torna excessivamente sensível, mesmo quando investigações médicas já excluíram uma causa cardíaca significativa.

Assim, duas frases podem ser simultaneamente verdadeiras:

“A dor é real.”

e

“A causa pode não estar numa doença cardíaca.”

Esta distinção é essencial para evitar dois erros opostos:

ignorar uma possível doença;

ou continuar convencido de que existe doença depois de investigação adequada, sem tratar a ansiedade que mantém o sofrimento.

Aperto no coração: porque algumas pessoas continuam preocupadas depois de exames normais?

Imagine que sente um aperto no coração, faz uma avaliação médica e recebe a informação de que não foi detectado um problema cardíaco que explique o sintoma.

Sente enorme alívio.

Durante dois dias.

Depois aparece outra palpitação.

E pensa:

“E se o exame não detectou tudo?”

“E se apareceu entretanto?”

“E se o médico se enganou?”

Marca outra consulta.

Novo alívio.

Nova sensação.

Nova dúvida.

A literatura sobre dor torácica não cardíaca mostra que sintomas e incapacidade podem persistir mesmo depois de avaliações cardíacas tranquilizadoras e identifica ansiedade, hipervigilância corporal e medo cardíaco como possíveis factores envolvidos.

Isto aproxima-nos da ansiedade com a saúde, tradicionalmente chamada hipocondria.

O problema deixou de ser apenas o sintoma.

Passou a incluir a incapacidade de aceitar qualquer nível de incerteza.

Aperto no coração: qual é a relação com hipocondria e ansiedade com a saúde?

O aperto no coração pode transformar-se num dos principais gatilhos de ansiedade com a saúde.

A pessoa começa a:

verificar o pulso;

medir a tensão;

observar a respiração;

pesquisar sintomas;

ler sobre arritmias;

pedir confirmação ao companheiro;

marcar consultas;

comparar sensações;

evitar exercício.

Cada comportamento tem uma finalidade:

obter segurança.

Mas existe um problema.

A segurança dura pouco.

Então o comportamento precisa de ser repetido.

Este é o mesmo mecanismo que encontramos frequentemente na hipocondria:

medo → verificação → tranquilização → alívio temporário → nova dúvida.

A investigação sobre dor torácica não cardíaca identifica inclusive cardiofobia e hipervigilância de sensações cardiopulmonares entre mecanismos psicológicos relevantes.

A solução não é deixar de cuidar da saúde.

É aprender a fazê-lo sem transformar cada batimento num exame clínico doméstico.

Aperto no coração: porque pesquisar sintomas na Internet pode aumentar a ansiedade?

Sente um aperto no coração.

Pesquisa:

“aperto no peito causas”.

Depois:

“aperto no peito enfarte”.

Depois:

“enfarte sintomas iniciais”.

Depois:

“enfarte exames podem falhar”.

Uma hora depois, sabe muito mais sobre doenças cardíacas.

E está muito mais ansioso.

A pesquisa começa como tentativa de resolver a incerteza.

Mas cada nova página apresenta mais possibilidades.

E existe outro problema: muitos sintomas graves são pouco específicos.

Cansaço.

Tonturas.

Náuseas.

Dor.

Palpitações.

Ao pesquisar repetidamente, é quase inevitável encontrar alguma sobreposição entre aquilo que sente e aquilo que lê.

A Internet pode fornecer informação útil.

O problema aparece quando a pesquisa deixa de ter uma finalidade concreta e se transforma numa forma repetitiva de tranquilização.

Se procura até deixar de ter medo, provavelmente não está apenas à procura de informação.

Está a tentar eliminar ansiedade através da pesquisa.

E esse alívio tende a durar pouco.

Pessoa a pesquisar sintomas na Internet à noite, com a mão no peito devido a um aperto no coração
Uma hora depois, sabe muito mais sobre doenças cardíacas – e está muito mais ansioso.

Aperto no coração: evitar exercício por medo pode manter o problema?

Depois de sentir um aperto no coração, algumas pessoas começam a evitar esforço físico.

“Se o coração acelerar, pode acontecer alguma coisa.”

Deixam de correr.

De subir escadas rapidamente.

De ir ao ginásio.

De caminhar depressa.

Isto pode fazer sentido enquanto existe uma questão médica por esclarecer.

Mas, depois de avaliação clínica apropriada e quando não existe contraindicação médica, evitar permanentemente qualquer aumento do ritmo cardíaco pode reforçar o medo.

A pessoa nunca aprende:

“O meu coração pode acelerar durante actividade física sem que isso signifique perigo.”

O exercício passa a funcionar como teste cardíaco:

“Se sentir alguma coisa, paro.”

Uma abordagem psicológica pode trabalhar precisamente o medo das próprias sensações corporais.

A literatura clínica sobre ansiedade e dor torácica recomenda integrar o tratamento psicológico com a avaliação médica em vez de tratar as duas dimensões como concorrentes.

Aperto no coração: o stress pode provocar sintomas mesmo sem um ataque de pânico?

Sim.

Um aperto no coração relacionado com ansiedade não precisa de acontecer apenas durante um ataque de pânico evidente.

O stress pode acumular-se.

Problemas no trabalho.

Preocupações financeiras.

Conflitos familiares.

Falta de sono.

Meses de tensão.

A pessoa pode nem pensar:

“Estou ansiosa.”

Diz:

“Estou apenas cansada.”

Mas permanece com os ombros tensos.

Respira de forma superficial.

Dorme mal.

Está constantemente em estado de alerta.

Até que começa a sentir sintomas físicos.

A resposta fisiológica ao stress pode envolver tensão muscular e alterações respiratórias que contribuem para sensações torácicas.

Isto explica porque algumas pessoas ficam surpreendidas quando se considera ansiedade:

“Mas eu nem estava nervoso quando começou.”

A ansiedade não precisa de existir como pensamento consciente naquele exacto segundo.

O organismo pode estar há muito tempo sob pressão.

Aperto no coração: o que fazer durante uma crise de ansiedade?

Se o aperto no coração já foi medicamente avaliado e reconhece um padrão habitual de ansiedade, algumas estratégias podem ajudar a reduzir a escalada.

Primeiro, tente não entrar imediatamente numa luta contra a sensação.

Pensar:

“Tenho de fazer isto desaparecer agora”

pode aumentar a vigilância.

Observe:

“O meu sistema de alarme está activado.”

Reduza progressivamente o ritmo da respiração, sem tentar inspirar cada vez mais ar.

Descontraia conscientemente ombros, mandíbula e musculatura torácica.

Desloque alguma atenção para o ambiente exterior.

O que vê?

O que ouve?

Onde estão os pés?

O que está efectivamente a acontecer à sua volta?

Técnicas de respiração, grounding, movimento suave e psicoterapia são algumas das estratégias descritas para sintomas torácicos relacionados com ansiedade.

Mas existe uma ressalva essencial:

estas técnicas destinam-se a situações que reconhece como ansiosas e que foram adequadamente enquadradas.

Não devem ser utilizadas para tentar “respirar através” de uma possível emergência médica.

Aperto no coração: porque tentar respirar cada vez mais fundo pode não ajudar?

Quando existe falta de ar associada ao aperto no coração, o instinto pode ser:

“Preciso de inspirar muito mais.”

A pessoa começa a procurar repetidamente aquela inspiração perfeita que finalmente fará sentir que os pulmões ficaram cheios.

Mas isso pode aumentar a preocupação com a respiração.

A respiração deixa de ser automática e passa a ser constantemente monitorizada:

“Esta inspiração foi suficiente?”

“E esta?”

“Porque preciso de bocejar?”

“Porque ainda sinto falta de ar?”

Quando a ansiedade é a causa, estratégias de respiração mais lenta e regular podem ser mais úteis do que tentar repetidamente realizar inspirações máximas.

Mais uma vez, falta de ar significativa ou inexplicada merece avaliação médica, sobretudo se é nova ou está a agravar-se.

Aperto no coração: como a psicoterapia pode quebrar o ciclo da ansiedade?

Depois de excluídas adequadamente causas médicas relevantes, a psicoterapia pode ajudar quando o aperto no coração está associado a ansiedade, pânico ou medo persistente de doença.

O trabalho pode começar pelo ciclo:

sensação → interpretação → emoção → comportamento → nova sensação.

Por exemplo:

Sensação: palpitação.

Interpretação: “Vou ter um enfarte.”

Emoção: medo intenso.

Comportamento: verificar pulso, pesquisar no Google, evitar actividade.

Consequência: ainda mais atenção ao coração.

A terapia cognitivo-comportamental pode ajudar a identificar interpretações catastróficas e comportamentos que mantêm a ansiedade. A revisão de 2024 sobre dor torácica não cardíaca refere a TCC como a intervenção psicológica mais estudada neste contexto, com resultados que sugerem benefício.

A psicoterapia pode também trabalhar:

  • medo das sensações físicas;
  • ataques de pânico;
  • ansiedade com a saúde;
  • hipocondria;
  • hipervigilância corporal;
  • procura de confirmação;
  • evitamento;
  • stress crónico;
  • pensamentos catastróficos.

O objectivo não é ensinar:

“Nunca mais preste atenção ao seu corpo.”

É construir uma relação menos ameaçadora com sensações normais e aprender quando é necessário agir e quando é a ansiedade que está a exigir mais uma confirmação.

Aperto no coração: qual é o papel da terapia cognitivo-comportamental?

Na terapia cognitivo-comportamental, o aperto no coração pode ser analisado de forma muito concreta.

Imagine o pensamento:

“Se o meu coração acelerar, significa que estou em perigo.”

O psicólogo pode explorar:

Qual é a evidência?

O que aconteceu nas outras vezes?

Que avaliação médica foi feita?

Que comportamentos aparecem depois do pensamento?

Esses comportamentos resolvem o problema ou proporcionam apenas alívio momentâneo?

Pode também trabalhar-se a exposição gradual a determinadas sensações ou situações, quando clinicamente indicado e depois de estarem esclarecidas as questões médicas necessárias.

Por exemplo, se a pessoa deixou de fazer actividade física apenas porque teme sentir o coração acelerar, recuperar progressivamente confiança nas próprias sensações pode fazer parte do tratamento.

A terapia não procura fornecer uma promessa impossível de risco zero.

Procura aumentar a capacidade de responder de forma proporcionada à incerteza.

Aperto no coração: quando procurar um psicólogo?

Pode fazer sentido procurar ajuda psicológica para aperto no coração quando existe uma avaliação médica tranquilizadora, mas o medo continua a dominar a vida.

Por exemplo:

  • pensa constantemente que pode ter um problema cardíaco;
  • verifica repetidamente o pulso;
  • pesquisa doenças durante horas;
  • evita exercício apesar de autorização médica;
  • tem ataques de pânico;
  • vai repetidamente às urgências devido ao mesmo padrão;
  • pede continuamente confirmação a familiares;
  • interpreta pequenas sensações como sinais de enfarte;
  • a ansiedade está a afectar o sono;
  • deixou de viajar ou ficar sozinho;
  • está permanentemente atento ao coração;
  • vive à espera do próximo episódio.

A investigação sobre dor torácica não cardíaca mostra que ansiedade, pânico, hipervigilância e outros factores psicológicos são frequentes e que intervenções como a TCC podem ter um papel útil depois de uma avaliação clínica adequada.

Não precisa de esperar que a ansiedade retire todas as actividades da sua vida para procurar apoio.

Aperto no coração: como a Sua Clínica pode ajudar?

Na Sua Clínica, um psicólogo pode ajudá-lo a perceber se existe um ciclo psicológico associado ao aperto no coração, às palpitações, à falta de ar ou aos ataques de pânico.

A avaliação psicológica pode explorar:

quando aparecem os sintomas;

o que pensa quando aparecem;

quanto medo provocam;

se existem ataques de pânico;

que situações começou a evitar;

se verifica repetidamente o corpo;

se pesquisa doenças;

se procura constantemente confirmação;

se existe hipocondria ou ansiedade com a saúde;

e qual o impacto no trabalho, sono, relações e qualidade de vida.

É igualmente importante perceber aquilo que já foi avaliado medicamente.

A Psicologia não substitui a Cardiologia nem a Medicina.

Se existem sintomas físicos que ainda necessitam de esclarecimento, a prioridade é obter a avaliação adequada.

Quando as causas médicas relevantes foram excluídas e o problema persiste, a psicoterapia pode trabalhar precisamente aquilo que um electrocardiograma não consegue tratar:

o medo da próxima sensação.

Pessoa em consulta de psicologia a trabalhar o ciclo de ansiedade associado ao aperto no coração
A psicoterapia pode trabalhar precisamente aquilo que um eletrocardiograma não consegue tratar: o medo da próxima sensação.

Aperto no coração: o objectivo não é deixar de sentir o coração

Há uma expectativa impossível que por vezes acompanha o tratamento do aperto no coração:

“Quero nunca mais sentir o meu coração.”

Mas um coração saudável bate.

Acelera quando corre.

Muda com emoções.

Pode bater mais forte quando se assusta.

E, ocasionalmente, pode tornar-se perceptível.

O objectivo psicológico não é transformar o organismo numa máquina que nunca produz sensações.

É poder sentir uma alteração corporal sem iniciar imediatamente uma investigação interna de emergência.

Sentir:

“O meu coração está mais rápido.”

sem acrescentar automaticamente:

“Portanto estou em perigo.”

Esta mudança parece pequena.

Para alguém que vive permanentemente a monitorizar o coração, pode significar recuperar exercício, viagens, sono, autonomia e tranquilidade.

Aperto no coração: o essencial sobre ansiedade, coração e tratamento

Um aperto no coração pode ser assustador porque sintomas no peito estão naturalmente associados, na nossa mente, à possibilidade de doença cardíaca.

Mas a sensação de aperto no peito, pressão, palpitações ou falta de ar pode ter muitas causas — cardíacas, pulmonares, digestivas, musculares e psicológicas.

Por isso, o primeiro princípio é simples:

não diagnostique automaticamente ansiedade perante um sintoma torácico novo ou preocupante.

A avaliação médica é particularmente importante perante dor intensa ou persistente, sintomas associados ao esforço, dificuldade respiratória relevante, suor frio, náuseas, desmaio, irradiação da dor ou outros sinais de alerta.

Mas há também um segundo princípio:

depois de uma avaliação adequada, não ignore a possibilidade de a ansiedade estar a manter o problema.

A ansiedade pode produzir ou amplificar sintomas físicos através de tensão muscular, alterações respiratórias, aceleração cardíaca e maior vigilância sobre o próprio corpo.

Então aparece o ciclo:

aperto → medo → coração acelerado → falta de ar → mais aperto → mais medo.

Se a pessoa interpreta constantemente estas sensações como ameaça, pode desenvolver ataques de pânico, evitar actividade física, pesquisar doenças compulsivamente ou procurar repetidamente confirmação médica.

A dor continua real.

O medo também.

Mas a solução já não está necessariamente em fazer o mesmo exame pela quinta vez.

A psicoterapia, particularmente abordagens cognitivo-comportamentais, pode ajudar a trabalhar interpretações catastróficas, hipervigilância corporal, pânico, evitamento e ansiedade com a saúde.

O objectivo não é convencê-lo de que nunca terá um problema de saúde.

Ninguém pode oferecer essa garantia.

É permitir-lhe cuidar da saúde sem viver permanentemente convencido de que cada sensação é o início de uma emergência.

Se já realizou a avaliação médica necessária e o aperto no coração, as palpitações, a falta de ar ou o medo de enfarte continuam a controlar o seu dia, marque uma consulta de Psicologia na Sua Clínica. Um psicólogo pode ajudá-lo a compreender o ciclo entre corpo, pensamento e ansiedade e a recuperar confiança nas sensações do seu próprio organismo.