“Se ele me deixar, não sei o que faço da minha vida.”
“Quando não responde às mensagens, começo imediatamente a pensar que já não gosta de mim.”
“Sei que esta relação me faz mal, mas não consigo sair.”
“Preciso constantemente de saber se está tudo bem entre nós.”
“Quando estou sozinho, sinto um vazio enorme.”
“Tenho medo de dizer aquilo que quero porque ele pode afastar-se.”
Estas frases podem aparecer em relações muito diferentes, mas têm algo em comum: a sensação de que a segurança emocional, o valor pessoal ou até a própria felicidade dependem demasiado de outra pessoa.
É aquilo a que habitualmente se chama dependência emocional.
Ter necessidade de afecto não é uma doença. Precisar de apoio também não. Uma relação saudável envolve proximidade, confiança, vulnerabilidade e alguma dependência mútua. O problema começa quando essa ligação deixa de coexistir com autonomia e passa a determinar praticamente todo o equilíbrio emocional da pessoa.
A Healthline descreve a dependência emocional como um padrão em que alguém passa a depender do parceiro para satisfazer grande parte ou praticamente todas as suas necessidades emocionais, podendo surgir medo persistente de rejeição, necessidade constante de confirmação, ansiedade quando está sozinho, ciúmes e uma auto-estima excessivamente dependente da outra pessoa.
A questão, portanto, não é:
“Preciso dos outros?”
Todos precisamos.
A questão é:
“Consigo continuar a sentir-me eu próprio quando a outra pessoa não está disponível, discorda de mim ou pode escolher afastar-se?”
Dependência emocional: o que é?
Quando alguém pesquisa “dependência emocional o que é”, procura muitas vezes perceber onde termina o amor e começa um padrão prejudicial.
A diferença não está simplesmente na intensidade dos sentimentos.
Podemos amar profundamente outra pessoa sem perder autonomia.
Numa relação saudável existe aquilo a que podemos chamar interdependência: duas pessoas apoiam-se, mas continuam capazes de tomar decisões, manter interesses próprios, tolerar períodos de separação e preservar uma identidade individual.
Na dependência emocional, o equilíbrio altera-se.
A aprovação do outro pode passar a determinar a auto-estima.
Uma resposta tardia a uma mensagem pode ser interpretada como rejeição.
Um desacordo pode parecer o início de uma ruptura.
Uma saída com amigos pode ser vivida como ameaça.
E a possibilidade de ficar sozinho pode parecer insuportável.
O Therapy Group of DC distingue precisamente a interdependência saudável da dependência excessiva: na primeira existe apoio mútuo com autonomia emocional; na segunda, o estado emocional passa a depender fortemente da validação e disponibilidade de outra pessoa.
Não significa que a pessoa “ame demasiado”.
Pode significar que precisa demasiado da relação para se sentir segura consigo própria.
Dependência emocional: quais são os principais sintomas?
Os sintomas de dependência emocional não aparecem exactamente da mesma forma em todas as pessoas.
Algumas tornam-se muito ansiosas.
Outras desenvolvem comportamentos de controlo.
Outras cedem constantemente para evitar conflitos.
Há também quem pareça muito independente até existir uma ameaça de abandono.
Entre os sinais que podem surgir encontram-se:
- necessidade constante de confirmação;
- medo intenso de rejeição ou abandono;
- dificuldade em estar sozinho;
- ciúmes frequentes;
- idealização do parceiro;
- dificuldade em tomar decisões sem aprovação;
- abdicar de interesses pessoais para manter a relação;
- dificuldade em estabelecer limites;
- tolerar comportamentos prejudiciais por medo da separação;
- sentir que a vida perde sentido sem determinada pessoa;
- necessidade de contacto constante;
- ansiedade intensa perante distância emocional;
- auto-estima dependente da aprovação do outro.
A Healthline identifica vários destes padrões, incluindo idealização, medo de rejeição, necessidade de garantias, ansiedade quando a pessoa está sozinha, ciúmes e dependência da relação para construir auto-estima e valor pessoal.
Nenhum destes sinais isoladamente prova que exista um problema clínico.
O que importa é o padrão.

Dependência emocional: como saber se tenho?
A pesquisa “dependencia emocional como saber se tenho” pode ser mais útil quando transformada em perguntas concretas.
Por exemplo:
Consigo estar bem quando a outra pessoa não está disponível?
Consigo discordar sem sentir que a relação vai terminar?
Tenho interesses, amigos e objectivos que não dependem desta relação?
Consigo dizer não?
Preciso frequentemente de perguntar se ainda gosta de mim?
Mudo aquilo que penso ou faço para evitar que se zangue ou se afaste?
Permaneço na relação principalmente porque a ideia de ficar sozinho parece pior do que aquilo que estou a viver?
O meu valor pessoal sobe e desce conforme a atenção que recebo?
Este tipo de reflexão é mais útil do que procurar simplesmente um rótulo.
Porque existe uma diferença entre:
“Fico triste quando a minha relação está mal.”
e:
“Se a minha relação está mal, eu deixo de saber quem sou.”
É essa perda de autonomia emocional que merece atenção.
Dependência emocional: existe um teste?
A procura por “dependência emocional teste” é compreensível.
Questionários podem ajudar a reflectir sobre padrões de vinculação, medo de abandono, procura de validação ou funcionamento relacional.
Mas um teste online não deve ser tratado como uma máquina de diagnóstico.
A própria literatura sobre dependência emocional mostra que não existe consenso absoluto sobre a sua definição, estatuto clínico e fronteiras conceptuais. Uma revisão sistemática identificou várias formas de definir o fenómeno e chamou a atenção para a necessidade de maior investigação.
Isso significa que um resultado como:
“tem elevada dependência emocional”
não deve ser lido como se fosse um diagnóstico médico inequívoco.
É mais útil perguntar:
“Estes padrões estão a causar sofrimento e a limitar a minha liberdade dentro das relações?”
Se estiverem, uma avaliação psicológica pode ajudar a compreender o que acontece.
Dependência emocional: amor, apego emocional e dependência são a mesma coisa?
Não.
O apego emocional faz parte das relações humanas.
Criamos laços.
Sentimos falta das pessoas.
Procuramos conforto.
Partilhamos vulnerabilidades.
A existência de dependência mútua não torna automaticamente uma relação pouco saudável. A Psychology Today salienta precisamente que algum grau de dependência emocional faz parte das relações e pode estar associado a confiança e fiabilidade; o problema surge quando a dependência se torna excessiva e a identidade pessoal começa a desaparecer dentro da relação.
Podemos representar a diferença de forma simples.
Numa relação saudável:
“Quero estar contigo, mas continuo a conseguir ser eu sem ti.”
Num padrão de dependência:
“Preciso que estejas comigo para conseguir sentir que estou bem.”
São frases emocionalmente muito diferentes.
Dependência emocional: o medo de abandono está sempre presente?
Não sempre, mas é frequente.
O medo de abandono pode transformar pequenas alterações relacionais em ameaças enormes.
O parceiro demora a responder.
“Está a perder o interesse.”
Parece mais silencioso.
“Fiz alguma coisa errada.”
Quer passar uma noite sozinho.
“Já não me ama.”
Existe um desacordo.
“Vai deixar-me.”
A pessoa procura então garantias:
“Ainda gostas de mim?”
“Está tudo bem?”
“Prometes que não me vais deixar?”
A resposta traz alívio.
Durante algum tempo.
Depois surge outra dúvida.
Este padrão pode aproximar-se de um ciclo:
ameaça percebida → ansiedade → procura de confirmação → alívio temporário → nova ameaça percebida.
O Therapy Group of DC descreve precisamente a necessidade constante de validação, dificuldade em tolerar indisponibilidade e medo intenso de abandono entre os sinais frequentes de dependência emocional.
Dependência emocional: porque aparecem ciúmes e necessidade de controlo?
Os ciúmes podem surgir quando a pessoa interpreta a atenção do parceiro como um recurso escasso que precisa de proteger.
Se a relação é aquilo que mantém a minha sensação de segurança, qualquer possível concorrente torna-se ameaçador.
Uma conversa com outra pessoa.
Um novo colega.
Uma saída sem mim.
Um antigo parceiro.
Até alguns minutos sem resposta.
O medo pode transformar-se em controlo:
“Com quem estavas?”
“Porque não respondeste?”
“Mostra-me as mensagens.”
“Porque precisas de sair sem mim?”
A Psychology Today chama a atenção para a relação entre dependência excessiva e tentativas de controlar comportamentos ou emoções do parceiro, especialmente quando a pessoa sente que o seu próprio equilíbrio depende daquilo que o outro faz.
Mas existe uma ressalva importante.
Nem todos os ciúmes resultam de dependência emocional.
Pode existir infidelidade real.
Mentira.
Quebra de confiança.
Comportamentos ambíguos.
Uma avaliação séria não deve assumir automaticamente que o problema está “na pessoa ciumenta”.
É necessário compreender a relação.

Dependência emocional: o que significa dependência afectiva?
Dependência afectiva é frequentemente utilizada como expressão próxima de dependência emocional.
A mesma revisão sistemática apresenta precisamente dependência emocional, dependência afectiva e dependência relacional como termos encontrados na literatura sobre o fenómeno.
Em linguagem clínica, contudo, o mais importante não é escolher a palavra perfeita.
É perceber o funcionamento.
A pessoa consegue regular as emoções sem recorrer permanentemente ao parceiro?
Consegue manter limites?
Consegue tolerar rejeição?
Consegue preservar uma identidade própria?
Consegue imaginar uma vida digna mesmo se a relação terminar?
Estas perguntas ajudam mais do que discutir se devemos chamar ao fenómeno dependência emocional ou dependência emocional afetiva — formulação comum em algumas pesquisas, embora em português de Portugal seja mais natural escrever dependência afectiva.
Dependência emocional: porque se desenvolve?
Não existe uma causa única.
A investigação tem relacionado padrões de dependência emocional com experiências de vinculação, auto-estima, medo de abandono e aprendizagem relacional.
A revisão sistemática de Bution e Wechsler encontrou na literatura associações com o desenvolvimento do apego durante a infância, além de factores culturais e relacionais, embora os próprios autores salientem inconsistências e a necessidade de mais investigação.
Isto significa que devemos evitar explicações simplistas como:
“Teve pais ausentes, por isso tornou-se dependente.”
A história pessoal influencia.
Mas não determina mecanicamente o futuro.
Uma pessoa pode desenvolver padrões relacionais a partir de várias experiências: rejeição, relações anteriores instáveis, perda, baixa auto-estima, necessidade intensa de aprovação ou dificuldade em aprender a regular emoções autonomamente.
O Therapy Group of DC destaca precisamente a relação entre vinculação, validação externa e dificuldade em desenvolver autonomia emocional.
Dependência emocional: porque a solidão parece tão difícil?
Para algumas pessoas, a solidão não significa simplesmente estar sem companhia.
Significa ficar sozinho consigo próprio.
E isso pode ser angustiante.
Quando grande parte da regulação emocional vem de fora, a ausência do outro cria um vazio.
A pessoa começa então a procurar rapidamente qualquer forma de contacto.
Mensagens.
Chamadas.
Redes sociais.
Nova relação.
Reconciliação com alguém que já lhe fazia mal.
Não necessariamente porque essa relação se tornou saudável.
Mas porque o vazio parece pior.
Uma parte importante do trabalho psicológico pode passar precisamente por transformar:
“estar sozinho significa ser abandonado”
em:
“posso estar sozinho sem estar emocionalmente desamparado.”
Autonomia emocional não significa isolamento.
Significa conseguir escolher relações porque acrescentam valor à vida, em vez de permanecer nelas exclusivamente porque a ausência parece insuportável.
Dependência emocional: pode existir dependência emocional em alguém que não seja o parceiro?
Sim.
A pesquisa “dependência emocional em alguém” não precisa de se limitar a relações amorosas.
Pode existir dependência excessiva relativamente a:
- um amigo;
- um familiar;
- um pai ou mãe;
- um mentor;
- um colega;
- ou outra pessoa significativa.
O Therapy Group of DC salienta que o padrão pode aparecer em relações românticas, amizades e relações familiares e, em determinados casos, até na procura de validação através de relações profissionais ou digitais.
O mecanismo continua semelhante:
“Preciso da aprovação desta pessoa para me sentir seguro ou valioso.”
A relação pode mudar.
A dependência psicológica pode permanecer.
Dependência emocional: existe dependência emocional no homem?
Sim.
A pesquisa “dependência emocional homem” provavelmente reflecte uma ideia cultural segundo a qual a dependência afectiva seria sobretudo feminina.
Não existe razão clínica para tratar a dependência emocional como um problema exclusivo das mulheres.
Um homem emocionalmente dependente pode apresentar:
- necessidade constante de validação;
- ciúmes;
- medo de abandono;
- controlo;
- dificuldade em estar sozinho;
- idealização da parceira;
- tolerância excessiva a uma relação prejudicial;
- ou necessidade de iniciar rapidamente outra relação depois de uma ruptura.
A forma de expressão pode variar de pessoa para pessoa.
Em alguns homens, vulnerabilidade e medo podem ser apresentados menos directamente e aparecer através de irritabilidade, controlo ou dificuldade em tolerar a autonomia da parceira.
Mas não se deve diagnosticar alguém com base no género ou num comportamento isolado.
O que interessa é o padrão relacional.
Dependência emocional: porque pode criar relações instáveis?
A dependência pode produzir exactamente aquilo que a pessoa mais teme.
Afastamento.
Imagine este ciclo:
Uma pessoa teme perder o parceiro.
Procura mais garantias.
O parceiro começa a sentir-se pressionado.
Afasta-se.
O afastamento aumenta o medo.
A pessoa procura ainda mais proximidade.
O parceiro sente ainda menos espaço.
Afasta-se mais.
O resultado pode ser uma relação marcada por:
- aproximação intensa;
- conflito;
- ameaça de ruptura;
- reconciliação;
- nova insegurança;
- novo conflito.
Não porque alguma das pessoas deseje conscientemente viver assim.
Mas porque o próprio mecanismo relacional se alimenta.
É por isso que a terapia precisa frequentemente de olhar para o ciclo, e não apenas para encontrar um culpado.

Dependência emocional: porque pode manter uma pessoa numa relação tóxica?
O termo “relação tóxica” é muito usado e nem sempre de forma precisa.
Uma relação pode ser prejudicial por várias razões: controlo, humilhação, manipulação, violência, desrespeito persistente, isolamento ou repetidas violações de limites.
A dependência emocional pode dificultar a saída porque a pessoa não avalia apenas:
“Esta relação faz-me bem?”
Avalia também:
“O que acontecerá comigo se ficar sem esta pessoa?”
Se a resposta imaginada for:
“Não vou conseguir.”
o limiar para tolerar sofrimento pode aumentar.
A pessoa pode justificar comportamentos.
Minimizar problemas.
Aceitar limites que anteriormente não aceitaria.
Ou terminar e regressar repetidamente.
Isto não significa que toda a relação difícil seja uma dependência emocional.
Nem que todas as pessoas emocionalmente dependentes estejam numa relação abusiva.
São questões diferentes que podem, ou não, coexistir.
Dependência emocional: qual é a relação com pessoas narcisistas?
A expressão “relações com narcisistas” exige cuidado.
Na Internet, “narcisista” tornou-se muitas vezes um rótulo aplicado a qualquer parceiro egoísta, frio, manipulador ou difícil.
Clinicamente, ter características narcísicas não equivale a ter Perturbação da Personalidade Narcísica, que exige avaliação profissional.
Dito isto, alguém com forte dependência emocional pode permanecer numa relação em que existe controlo, desvalorização ou grande assimetria porque o medo de perder a relação pesa mais do que o próprio bem-estar.
A questão terapeuticamente útil não é começar por:
“Ele é narcisista?”
É observar comportamentos concretos:
Há respeito?
Existem limites?
Pode discordar?
É constantemente humilhado?
Há controlo?
Sente medo?
A relação exige que abandone amigos, interesses ou autonomia?
Essas respostas são frequentemente mais importantes do que tentar diagnosticar o parceiro à distância.
Dependência emocional: como afecta os conflitos de casal?
Os conflitos de casal tornam-se particularmente intensos quando um desacordo deixa de ser apenas um desacordo.
Imagine:
“Não concordo contigo.”
Uma pessoa emocionalmente segura pode ouvir:
“Temos opiniões diferentes.”
Alguém com grande medo de abandono pode ouvir:
“A nossa relação está em perigo.”
A resposta emocional torna-se muito mais intensa.
Pode aparecer:
- acusação;
- choro;
- procura de confirmação;
- ameaça de terminar antes de ser abandonado;
- controlo;
- silêncio;
- tentativa excessiva de agradar.
Assim, muitas discussões aparentemente sobre tarefas domésticas, mensagens ou horários podem ter por baixo uma pergunta diferente:
“Continuas a escolher-me?”
Compreender esta camada emocional pode transformar a forma como o casal trabalha os conflitos.
Dependência emocional: terapia de casal ou terapia individual?
Depende.
Quando o padrão está sobretudo relacionado com a forma como uma pessoa regula emoções, estabelece limites, constrói auto-estima ou lida com abandono, a terapia individual pode ser muito útil.
Quando o problema está incorporado na dinâmica do casal, a terapia de casal pode ajudar a perceber como ambos participam no ciclo.
A Sua Clínica descreve a terapia de casal precisamente como um espaço para trabalhar comunicação, ciúmes, dependência emocional, perda de confiança e conflitos recorrentes, sem transformar o psicólogo num juiz que decide qual dos parceiros tem razão.
Em algumas situações pode fazer sentido terapia de casal e acompanhamento individual separados.
A decisão depende do caso.
Dependência emocional: como superar?
A pergunta “dependência emocional como superar” não se resolve com:
“Aprenda a gostar de si.”
Essa frase pode ser verdadeira, mas é demasiado vaga para ser útil.
Superar um padrão implica perceber como ele funciona.
Pode envolver:
- reconhecer comportamentos de procura constante de validação;
- desenvolver maior tolerância à distância e à incerteza;
- reconstruir interesses e relações fora do casal;
- aprender a tomar decisões autonomamente;
- estabelecer limites;
- trabalhar medo de abandono;
- fortalecer auto-estima;
- desenvolver estratégias de regulação emocional;
- aprender a identificar relações prejudiciais;
- trabalhar experiências relacionais anteriores.
A Healthline recomenda precisamente desenvolver maior capacidade de satisfazer necessidades emocionais autonomamente, recuperar interesses próprios, estabelecer limites e procurar apoio profissional quando o padrão é difícil de alterar sozinho.
O objectivo não é tornar-se emocionalmente independente de toda a gente.
É deixar de ser emocionalmente refém de uma única relação.
Dependência emocional: como lidar no dia-a-dia?
Quem pesquisa “dependencia emocional como lidar” pode começar por observar comportamentos concretos.
Quando o parceiro não responde, o que acontece?
Envio cinco mensagens?
Verifico se está online?
Imagino imediatamente abandono?
Cancelo os meus planos?
Procuro outra pessoa para me tranquilizar?
Também pode ser útil recuperar pequenas decisões autónomas.
Escolher uma actividade.
Estar com amigos.
Retomar interesses.
Tomar decisões sem pedir validação para tudo.
Dizer não.
Passar algum tempo sozinho sem transformar esse tempo numa prova de rejeição.
Não se trata de representar independência.
Trata-se de praticá-la.
Pouco a pouco, a pessoa deixa de perguntar:
“Como faço para garantir que nunca me abandonam?”
e começa a construir outra segurança:
“Mesmo que uma relação termine, continuo a existir e consigo cuidar de mim.”
Dependência emocional: a psicoterapia pode ajudar?
Sim.
A psicoterapia pode ajudar a compreender o padrão relacional, a forma como foi desenvolvido e aquilo que o mantém actualmente.
A mesma revisão sistemática encontrou terapia individual, terapia de grupo e grupos de apoio entre as intervenções mencionadas na literatura, embora os próprios autores ressalvem a heterogeneidade conceptual e a necessidade de mais investigação específica sobre dependência emocional.
Na prática, a terapia pode trabalhar questões como:
- medo de abandono;
- baixa auto-estima;
- necessidade de aprovação;
- ciúmes;
- dificuldade em colocar limites;
- ansiedade;
- relações instáveis;
- solidão;
- padrões de vinculação;
- repetição de relações prejudiciais.
O trabalho não consiste necessariamente em dizer à pessoa:
“Tem de terminar a relação.”
O objectivo é ajudá-la a recuperar suficiente autonomia para que consiga escolher.
Ficar porque quer.
Sair porque decidiu.
Não permanecer exclusivamente porque acredita que não sobreviveria emocionalmente à ausência do outro.
Dependência emocional: quando procurar ajuda profissional?
Pode fazer sentido procurar um psicólogo quando o padrão começa a limitar a vida.
Por exemplo, quando:
- o medo de abandono domina a relação;
- os ciúmes são frequentes;
- precisa constantemente de confirmação;
- não consegue estar sozinho;
- tolera comportamentos que lhe fazem mal;
- perdeu amigos ou interesses;
- a auto-estima depende quase totalmente do parceiro;
- termina e regressa repetidamente a relações prejudiciais;
- ou percebe que o mesmo padrão aparece de relação em relação.
Não precisa de esperar por uma crise.
O Therapy Group of DC chama a atenção precisamente para o momento em que necessidades normais de ligação se transformam num padrão que limita autonomia pessoal e prejudica as próprias relações.
Procurar ajuda não significa que a relação está condenada.
Significa que o padrão merece ser compreendido.
Dependência emocional: como a Sua Clínica pode ajudar?
A Sua Clínica identifica actualmente Dependência Emocional como um dos motivos de consulta, descrevendo-a como um padrão em que o medo de perder uma relação passa a pesar mais do que o próprio bem-estar. O acompanhamento psicológico procura ajudar a construir uma sensação de segurança que não dependa exclusivamente do outro.
A equipa integra psicólogos inscritos na Ordem dos Psicólogos Portugueses e profissionais com diferentes abordagens, incluindo Terapia Cognitivo-Comportamental, Terapia Sistémica, Terapia Focada nas Emoções, Terapia de Aceitação e Compromisso e outras modalidades.
O acompanhamento pode ser procurado individualmente ou, quando a dificuldade envolve a dinâmica da relação, através de terapia de casal.
Neste momento, as consultas de Psicologia decorrem online por videochamada, enquanto a clínica física de Cascais se encontra em remodelação. A Sua Clínica anuncia a reabertura do espaço em Novembro, passando então a existir também a opção presencial.
Não necessita de referência médica para marcar.

Dependência emocional: como escolher o psicólogo e marcar uma consulta?
Nem sempre é fácil saber se o melhor ponto de partida é psicoterapia individual ou terapia de casal.
Pode pensar:
“Sou eu que tenho o problema?”
“É a relação?”
“Precisamos de ir os dois?”
Não precisa de resolver previamente estas questões.
Na Sua Clínica pode escolher directamente um psicólogo de acordo com a sua área de intervenção e disponibilidade. Se não souber por onde começar, pode falar com a Sofia, a assistente virtual da clínica. O próprio website permite marcar directamente ou recorrer à Sofia sem referência do médico de família.
Pode explicar simplesmente:
“Tenho medo de o meu parceiro me deixar.”
“Sei que esta relação me faz mal, mas não consigo sair.”
“Tenho muitos ciúmes.”
“Não consigo estar sozinho.”
“Preciso sempre de confirmação.”
A Sofia ajuda a orientar a procura e a encontrar um profissional adequado dentro dos serviços da clínica.
A Sofia não diagnostica dependência emocional, não faz psicoterapia e não substitui um psicólogo.
Serve para facilitar o caminho até ao profissional.
Dependência emocional: o essencial sobre amor, autonomia e relações
A dependência emocional não significa amar demasiado.
Amor e autonomia podem existir ao mesmo tempo.
Podemos precisar das pessoas sem depender exclusivamente delas para saber quanto valemos.
Podemos sentir falta sem entrar em pânico.
Podemos estar numa relação sem abandonar a nossa identidade.
É normal procurar apoio no parceiro.
É normal querer proximidade.
É normal sentir ciúmes ocasionalmente.
É normal que uma separação doa.
O problema surge quando praticamente toda a estabilidade emocional passa para as mãos de outra pessoa.
“Estou bem se ele está bem comigo.”
“Tenho valor se ela me escolher.”
“Consigo respirar se me garantirem que não vou ser abandonado.”
“Fico, mesmo sofrendo, porque estar sozinho seria pior.”
É aqui que uma relação pode deixar de ser apenas uma escolha e começar a parecer uma necessidade de sobrevivência emocional.
A literatura sobre dependência emocional descreve precisamente padrões de procura excessiva de validação, medo de rejeição, ansiedade perante separação, perda de autonomia e dificuldade em manter uma identidade individual dentro da relação.
Mas há também uma razão para evitar rótulos precipitados.
A própria revisão sistemática da literatura encontrou inconsistências na definição e na conceptualização da dependência emocional. Por isso, é mais rigoroso tratá-la como um padrão psicológico e relacional a avaliar, e não utilizar automaticamente a expressão como se correspondesse, por si só, a um diagnóstico clínico inequívoco.
Talvez a pergunta mais útil não seja:
“Tenho dependência emocional?”
Pode ser:
“Quanto daquilo que faço nesta relação resulta do amor e quanto resulta do medo de a perder?”
Se já não consegue colocar limites, se os ciúmes e o medo de abandono dominam a relação, se sente que não consegue estar sozinho ou se permanece repetidamente em relações que lhe provocam sofrimento, pode marcar uma consulta de Psicologia na Sua Clínica.
O objectivo da terapia não é ensinar uma pessoa a não precisar de ninguém.
É bastante diferente.
É ajudá-la a conseguir amar outra pessoa sem precisar de desaparecer dentro dela.