Sabe que o avião é um dos meios de transporte mais seguros.
Mesmo assim, passa semanas a pensar no voo.
Na véspera quase não dorme.
Quando entra no aeroporto, o coração acelera.
Ao sentar-se no avião, sente palpitações, aperto no peito e falta de ar.
Uma parte racional da sua mente diz:
“Milhares de aviões fazem isto todos os dias.”
Outra responde:
“Mas este pode cair.”
Eventualmente começa a evitar viagens.
Primeiro escolhe destinos onde pode ir de carro.
Depois recusa oportunidades profissionais que envolvem voos.
Mais tarde deixa de visitar familiares que vivem longe.
Aquilo que começou como medo passou a decidir aspectos importantes da sua vida.
É aqui que podemos começar a falar de fobias.
As fobias envolvem um medo intenso e persistente de determinados objectos ou situações, geralmente desproporcionado relativamente ao perigo real. A exposição ao estímulo pode provocar ansiedade imediata, sintomas físicos intensos e uma necessidade poderosa de fugir ou evitar. Nos casos mais limitantes, a pessoa reorganiza a própria vida para não encontrar aquilo que teme.
O ponto fundamental é este:
ter medo não significa ter uma fobia.
O medo é normal e útil.
As fobias começam quando esse sistema de protecção se torna excessivo, persistente e limitante.
Fobias: Qual É a Diferença Entre Medo Normal e Medo Irracional?
Para compreender as fobias, é preciso começar por respeitar o medo.
O medo não é um defeito psicológico.
Se vê um carro a aproximar-se rapidamente enquanto atravessa a rua, quer que o seu cérebro produza medo.
Essa reacção aumenta a atenção, acelera o organismo e prepara-o para agir.
O problema surge quando existe um medo irracional, excessivo ou claramente desproporcionado relativamente ao risco.
Uma pessoa pode evitar aproximar-se de uma cobra venenosa.
Isso é prudência.
Outra pode sentir terror ao ver a fotografia de uma pequena cobra num livro, evitar parques, recusar viagens e verificar repetidamente se existem cobras num local onde praticamente não há possibilidade de as encontrar.
É diferente.
A Canadian Psychological Association define a fobia como um medo excessivo e persistente de um objecto ou situação, sendo a reacção desproporcionada ao perigo real. Psychology Tools salienta igualmente que as fobias são desencadeadas por objectos ou situações específicos e podem interferir significativamente com trabalho, relações e actividades quotidianas.
Não é necessário que a pessoa acredite racionalmente que o medo faz sentido.
Pode saber perfeitamente:
“Esta aranha provavelmente não me vai fazer nada.”
E, mesmo assim, sentir:
“Tenho de sair daqui agora.”

Fobias: Quais São os Principais Sintomas das Fobias?
Os sintomas das fobias podem ser psicológicos, físicos e comportamentais.
Entre os sintomas psicológicos podem surgir:
- medo intenso;
- sensação de perigo imediato;
- necessidade urgente de fugir;
- pensamentos catastróficos;
- medo de perder o controlo;
- ansiedade antecipatória;
- sensação de que algo terrível vai acontecer.
Fisicamente, podem aparecer:
- palpitações;
- coração acelerado;
- suor;
- tremores;
- náuseas;
- tonturas;
- aperto no peito;
- dor ou desconforto torácico;
- dificuldade em respirar;
- sensação de sufoco;
- fraqueza;
- sensação de desmaio.
A Cleveland Clinic inclui alterações do ritmo cardíaco, transpiração, tremores, náuseas, aperto ou dor no peito, dificuldade respiratória e tonturas entre os sintomas físicos possíveis das fobias.
Há depois um terceiro grupo de sintomas que é essencial para compreender o problema:
o comportamento muda.
A pessoa evita.
E é muitas vezes aí que a fobia ganha poder.
Fobias: Porque o Evitamento É Tão Importante?
O evitamento é um dos mecanismos centrais das fobias.
Imagine que tem claustrofobia.
Precisa de subir ao décimo quinto andar.
Vê o elevador.
Sente ansiedade.
Decide subir pelas escadas.
A ansiedade diminui imediatamente.
O cérebro aprende:
“Evitar o elevador deixou-me seguro.”
Na próxima vez, a vontade de evitar será ainda maior.
Isto cria um ciclo:
estímulo → medo → evitamento → alívio → reforço do evitamento → medo mantido.
É um mecanismo poderoso precisamente porque evitar funciona no curto prazo.
Psychology Tools descreve pessoas com fobias que mudam actividades, destinos ou rotinas para evitar aquilo que temem e identifica a fuga, vigilância e estratégias de segurança como comportamentos comuns.
O preço aparece no longo prazo.
Hoje evita um elevador.
Amanhã evita um edifício.
Depois recusa um emprego porque o escritório fica no vigésimo andar.
A fobia começa a conquistar território.
Fobias: O Que É Ansiedade Antecipatória?
Nas fobias, a ansiedade não precisa de esperar pelo objecto temido.
Pode começar muito antes.
A isto chamamos ansiedade antecipatória.
Tem medo de voar e o voo é daqui a três meses.
Hoje pensa:
“E quando chegar o dia?”
Daqui a um mês começa a pesquisar acidentes.
Duas semanas antes observa obsessivamente previsões meteorológicas.
Na noite anterior quase não dorme.
Ainda não entrou no avião.
Mas psicologicamente já está a viver o voo há semanas.
Psychology Tools inclui precisamente a preocupação antecipada com futuros encontros com o estímulo temido entre os padrões associados às fobias.
A ansiedade antecipatória pode tornar-se tão desagradável que a pessoa cancela simplesmente para obter alívio.
E o cérebro aprende novamente:
“Cancelar resolveu.”
É por isso que, nas fobias, o problema não é apenas aquilo que acontece quando encontramos o medo.
É também aquilo que fazemos para garantir que nunca teremos de o encontrar.
Fobias: Quais São os Principais Tipos de Fobias?
Existem muitos tipos de fobias.
Nas fobias específicas, o medo está associado a um objecto ou situação relativamente circunscrito.
As categorias clínicas habituais incluem medos relacionados com:
Animais: aranhas, cobras, cães ou insectos.
Ambiente natural: alturas, tempestades ou água.
Sangue, injecções e ferimentos: sangue, agulhas ou procedimentos médicos.
Situações específicas: aviões, condução ou espaços fechados.
Outras situações: engasgar-se, vomitar ou outros estímulos particulares.
A Cleveland Clinic organiza as fobias específicas em categorias semelhantes e dá como exemplos aracnofobia, acrofobia, aerofobia e claustrofobia.
A literatura científica sobre fobias específicas utiliza igualmente categorias como animal, ambiente natural, sangue-injecção-ferimento e situacional.
Contudo, agorafobia e fobia social merecem uma distinção.
Embora sejam popularmente chamadas “fobias”, não são simplesmente mais dois exemplos de fobia específica.
Fobias: O Que É a Aracnofobia?
A aracnofobia, ou medo intenso de aranhas, é uma das fobias mais conhecidas.
A pessoa pode sentir ansiedade perante:
uma aranha real;
uma fotografia;
um vídeo;
uma teia;
ou até algo que inicialmente parece uma aranha.
O problema pode ultrapassar largamente o encontro real com o animal.
Pode verificar os sapatos.
Inspeccionar a cama.
Evitar caves.
Recusar determinados destinos de férias.
Psychology Tools apresenta precisamente um exemplo clínico em que o medo de aranhas conduz a verificações repetidas, fuga da divisão e evitamento de países onde a pessoa acredita poder encontrar mais aranhas.
Isto mostra como o comportamento de segurança se expande.
Já não é apenas:
“Tenho medo quando vejo uma aranha.”
Passa a ser:
“Tenho de organizar a minha vida para garantir que nunca vejo uma.”

Fobias: O Que É a Claustrofobia?
A claustrofobia envolve medo intenso associado a espaços fechados ou confinados.
Entre as situações temidas podem estar:
elevadores;
aviões;
túneis;
transportes;
salas pequenas;
exames médicos realizados em equipamentos fechados.
Os pensamentos podem incluir:
“Vou ficar preso.”
“Não vou conseguir sair.”
“Vou ficar sem ar.”
“Vou entrar em pânico e ninguém me poderá ajudar.”
Podem surgir palpitações, hiperventilação, aperto no peito, tonturas e uma forte necessidade de escapar.
Nas fobias situacionais, o medo nem sempre está centrado na situação física em si.
Por vezes, o medo principal é:
“O que me vai acontecer se eu ficar ansioso aqui dentro?”
Esta distinção é clinicamente importante, porque sintomas semelhantes podem também surgir em perturbação de pânico ou agorafobia. O diagnóstico diferencial procura perceber exactamente aquilo que a pessoa teme.
Fobias: Como Funciona o Medo de Alturas?
O medo de alturas pode variar desde prudência perfeitamente normal até acrofobia, uma das fobias específicas relacionadas com o ambiente natural.
Num precipício sem protecção, ter medo é útil.
Mas alguém com acrofobia pode sentir ansiedade intensa:
numa varanda protegida;
num piso elevado;
num miradouro seguro;
numa escada;
ou simplesmente ao imaginar estar num local alto.
Pode sentir vertigens, tremores, palpitações e necessidade de se agarrar a alguma coisa.
O evitamento pode depois interferir com viagens, trabalho ou actividades sociais.
A questão clínica não é:
“É possível cair de uma altura?”
Claro que é.
É:
“A reacção é proporcional ao risco da situação concreta e quanto está esta reacção a limitar a vida?”
Fobias: Como Funciona o Medo de Voar?
O medo de voar, frequentemente designado aerofobia, é outro exemplo de fobias situacionais.
Pode envolver vários medos diferentes:
medo de acidente;
medo de turbulência;
medo de ficar fechado;
medo de perder o controlo;
medo de ter um ataque de pânico no avião;
medo de não conseguir sair.
Duas pessoas podem dizer:
“Tenho medo de voar.”
Mas psicologicamente podem estar a falar de problemas diferentes.
É por isso que uma avaliação útil não se limita a registar:
“Fobia de avião.”
Pergunta:
“O que exactamente acredita que vai acontecer?”
A terapia de exposição tem sido estudada especificamente para medo de voar, incluindo intervenções presenciais, imaginárias e digitais.
Fobias: O Que É a Fobia Social?
A chamada fobia social, hoje frequentemente designada perturbação de ansiedade social, não é simplesmente uma fobia específica de “estar com pessoas”.
O medo está principalmente relacionado com ser observado, avaliado, humilhado ou julgado negativamente.
A pessoa pode pensar:
“Vou dizer uma estupidez.”
“Vão notar que estou nervoso.”
“Vou corar.”
“Vão achar que sou incompetente.”
A ansiedade pode surgir ao:
falar em público;
conhecer pessoas;
participar numa reunião;
comer diante de outros;
entrar numa festa;
fazer uma apresentação.
O StatPearls distingue explicitamente a ansiedade social das fobias específicas: na ansiedade social, o medo está ligado a escrutínio, embaraço e avaliação negativa em diferentes contextos sociais.
Esta diferença interessa porque o tratamento precisa de trabalhar o medo que realmente existe, não apenas a situação exterior.
Fobias: O Que É a Agorafobia?
A agorafobia também merece tratamento próprio quando falamos de fobias.
Não significa simplesmente “medo de espaços abertos”.
Pode envolver medo de situações em que a pessoa acredita que seria difícil escapar ou receber ajuda caso tivesse sintomas intensos.
Transportes públicos.
Filas.
Multidões.
Espaços abertos.
Locais fechados.
Estar sozinho fora de casa.
A Cleveland Clinic esclarece que a agorafobia é um diagnóstico separado das fobias específicas e pode envolver múltiplos tipos de situações públicas.
Uma pessoa pode dizer:
“Tenho medo do metro.”
Mas o medo real pode ser:
“E se tiver um ataque de pânico entre duas estações e não conseguir sair?”
Nesse caso, o foco não é necessariamente o metro enquanto objecto.
É a percepção de aprisionamento e impossibilidade de ajuda.
Fobias: Qual É a Relação Entre Fobias e Ataques de Pânico?
As fobias podem provocar ataques de pânico quando a pessoa encontra o estímulo temido.
Imagine alguém com medo intenso de cães.
Vira uma esquina.
Há um cão.
O coração dispara.
Começa a tremer.
Sente falta de ar.
Pensa:
“Tenho de fugir.”
Esta escalada pode atingir a intensidade de um ataque de pânico.
A Canadian Psychological Association refere que a resposta de ansiedade desencadeada pelo estímulo fóbico pode evoluir para um ataque de pânico completo.
Mas isto não significa necessariamente que a pessoa tenha perturbação de pânico.
No caso de uma fobia específica, o ataque tende a estar ligado ao estímulo fóbico.
Na perturbação de pânico, os ataques podem ocorrer de forma inesperada, sem um estímulo específico identificável.
Esta distinção pode ser relevante para escolher o tratamento adequado.
Fobias: Qual É a Relação Entre Fobias e Hipocondria?
Também pode existir confusão entre algumas fobias e aquilo que tradicionalmente se chama hipocondria, ou ansiedade com a saúde.
Uma pessoa pode ter medo de agulhas.
Outra pode ter medo persistente de desenvolver cancro.
Outra pode ter POC relacionada com contaminação.
Todas podem falar de “medo de doenças”.
Mas o mecanismo não é necessariamente o mesmo.
A APA descreve, por exemplo, fobias relacionadas com sangue, agulhas, procedimentos médicos e doenças, salientando que estas podem levar algumas pessoas a evitar cuidados de saúde. Também refere que medos de doença podem coexistir com processos obsessivo-compulsivos.
A avaliação psicológica procura perceber:
Qual é o estímulo?
Qual é o medo central?
O que a pessoa faz para reduzir o medo?
Evita?
Verifica?
Procura confirmação?
Realiza compulsões?
Duas pessoas com comportamentos aparentemente semelhantes podem precisar de formulações clínicas diferentes.
Fobias: Porque Surgem as Fobias?
Não existe uma única causa para todas as fobias.
Algumas começam depois de uma experiência negativa.
Uma pessoa tem um episódio turbulento num avião e desenvolve medo de voar.
Um cão ataca uma criança e surge medo de cães.
Mas nem todas as fobias têm origem num trauma identificável.
Também podemos aprender medo observando outras pessoas.
Uma criança vê repetidamente um dos pais reagir com terror a aranhas e começa a responder da mesma forma.
Podemos aprender através de informação.
Histórias, notícias ou imagens repetidas podem alterar a percepção de risco.
Existem ainda diferenças individuais e factores familiares ou genéticos que podem aumentar vulnerabilidade.
Psychology Tools identifica experiências directas, observação de outras pessoas, informação recebida, características individuais e factores genéticos entre possíveis contributos para o desenvolvimento de medos e fobias.
A Cleveland Clinic também refere experiências traumáticas, aprendizagem por observação, transmissão de informação e factores genéticos.
Não encontrar “a causa” da fobia não impede o tratamento.
Para mudar aquilo que mantém o problema hoje, nem sempre é necessário descobrir exactamente como começou há vinte anos.

Fobias: Porque o Medo Pode Aumentar Mesmo Sem Acontecer Nada de Perigoso?
Este é um dos paradoxos das fobias.
A pessoa evita a situação durante anos.
Nada de mau acontece.
E, mesmo assim, o medo aumenta.
Porquê?
Porque o cérebro pode interpretar a ausência de desastre desta forma:
“Nada aconteceu porque eu evitei.”
Imagine alguém que tem medo de elevadores.
Passa dez anos a subir escadas.
Nunca fica preso num elevador.
Mas também nunca aprende:
“Posso entrar num elevador, sentir ansiedade e chegar ao destino em segurança.”
O evitamento impede a aprendizagem correctiva.
É precisamente por isso que terapia de exposição desempenha um papel tão importante no tratamento.
Não se trata simplesmente de “enfrentar o medo”.
Trata-se de criar novas experiências suficientemente seguras e repetidas para alterar aquilo que o cérebro espera que aconteça.
Fobias: O Que São Comportamentos de Segurança?
Nem todo o evitamento nas fobias é óbvio.
Pode entrar no avião — mas apenas se tomar determinada medida.
Pode ir ao elevador — mas apenas acompanhado.
Pode atravessar a ponte — mas olhando sempre para baixo.
Pode entrar num restaurante — mas precisa de ficar junto da saída.
Estes são exemplos de possíveis comportamentos de segurança.
A pessoa aparentemente enfrentou a situação, mas conclui:
“Só consegui porque tinha isto comigo.”
Psychology Tools pergunta precisamente se a pessoa precisa de álcool, medicamentos, objectos supersticiosos, distrações ou outras pessoas para conseguir permanecer perante aquilo que teme.
Algumas destas estratégias podem ser apropriadas em determinados contextos.
O problema aparece quando passam a comunicar ao cérebro:
“Sem esta protecção, estarias em perigo.”
A terapia procura perceber quais destes comportamentos estão realmente a ajudar e quais estão involuntariamente a manter o medo.
Fobias: Como Funciona o Tratamento das Fobias?
O tratamento das fobias é uma das áreas da Psicologia com intervenções bem estudadas.
A psicoterapia, particularmente abordagens cognitivo-comportamentais, é central.
A Cleveland Clinic identifica a terapia cognitivo-comportamental e a terapia de exposição entre as principais intervenções psicológicas para fobias.
Psychology Tools refere igualmente a TCC como um tratamento psicológico eficaz para medos e fobias.
Uma meta-análise de 33 estudos aleatorizados concluiu que os tratamentos psicológicos baseados em exposição produziram efeitos substanciais relativamente à ausência de tratamento e superaram intervenções alternativas em várias comparações. A exposição in vivo apresentou vantagens no pós-tratamento face a outras modalidades, embora algumas diferenças não se mantivessem no seguimento.
Isto não significa que tratamento seja:
“Tem medo? Vá fazer exactamente aquilo que mais o aterroriza.”
A exposição terapêutica é muito mais estruturada.
Fobias: Como Funciona a Terapia de Exposição?
A terapia de exposição procura ajudar a pessoa com fobias a aproximar-se progressivamente daquilo que evita, em condições planeadas e suficientemente seguras.
Imagine alguém com medo de cães.
Uma hierarquia hipotética poderia começar por:
ler a palavra “cão”;
olhar para um desenho;
ver uma fotografia;
ver um vídeo;
observar um cão à distância;
aproximar-se progressivamente de um cão calmo acompanhado pelo terapeuta;
eventualmente permanecer próximo do animal.
Não existe uma hierarquia universal.
Depende da pessoa.
A Cleveland Clinic descreve a exposição gradual como uma progressão de elementos menos perturbadores para situações cada vez mais difíceis, permitindo trabalhar pensamentos e comportamentos relacionados com medo e ansiedade.
O objectivo é produzir aprendizagem.
“Consigo sentir medo sem fugir.”
“Esta sensação sobe e depois muda.”
“Aquilo que eu previa não aconteceu.”
“Não preciso daquele comportamento de segurança.”
É assim que a relação com o estímulo começa a alterar-se.
Fobias: Terapia de Exposição Significa Ser Obrigado a Enfrentar o Pior Medo?
Não.
Uma das razões pelas quais algumas pessoas evitam tratamento das fobias é pensarem:
“Se disser que tenho medo de aranhas, vão pôr uma tarântula na minha mão.”
Não é assim que uma intervenção responsável deve funcionar.
A meta-análise sobre tratamentos psicológicos de fobias específicas observa, aliás, que uma parte das pessoas evita procurar tratamento precisamente por receio da exposição ao estímulo temido.
A exposição é planeada.
Os objectivos são discutidos.
Existe uma razão clínica para cada passo.
Em muitas intervenções utiliza-se exposição gradual.
Podem também existir formas imaginárias ou, em determinados contextos, realidade virtual.
A Cleveland Clinic distingue exposição in vivo — no mundo real — de exposição imaginária e refere ainda formas graduais de dessensibilização.
O objectivo não é traumatizar alguém até deixar de ter medo.
É criar experiências de aprendizagem que o evitamento tem impedido.
Fobias: Porque a Exposição Funciona?
Nas fobias, o cérebro fez uma previsão:
“Se isto acontecer, haverá perigo.”
O evitamento impede testar essa previsão.
A exposição permite fazer algo diferente:
encontrar o estímulo sem realizar automaticamente a fuga habitual.
É uma forma de aprendizagem.
A investigação sobre medo descreve processos de condicionamento e extinção nos quais novas experiências podem reduzir a resposta aprendida perante estímulos anteriormente associados a ameaça. A APA apresenta precisamente estes mecanismos de aprendizagem como parte importante da investigação sobre a neurobiologia das fobias.
Na prática, o objectivo não é necessariamente:
“Tenho de sentir zero medo.”
Pode começar por:
“Consigo fazer isto apesar de sentir medo.”
A ausência total de ansiedade não precisa de ser condição para recuperar liberdade.
Fobias: A Terapia Cognitivo-Comportamental Pode Ajudar Além da Exposição?
Sim.
Nas fobias, a terapia cognitivo-comportamental pode trabalhar simultaneamente comportamento e interpretação.
Imagine alguém com medo de voar.
Pensamento:
“Turbulência significa que o avião está prestes a cair.”
Ou alguém com claustrofobia:
“Se sentir ansiedade no elevador, vou perder o controlo.”
Ou alguém com aracnofobia:
“Se houver uma aranha no quarto, não consigo lidar com a situação.”
A terapia pode explorar estas avaliações de ameaça e a forma como influenciam a resposta emocional.
A meta-análise de tratamentos psicológicos identifica técnicas cognitivas, incluindo reestruturação e reavaliação da ameaça, entre as estratégias que têm sido estudadas juntamente com exposição.
A questão não é ensinar optimismo artificial.
É aproximar avaliação e risco real.
Fobias: Quando o Medo Justifica Procurar um Psicólogo?
Pode fazer sentido procurar ajuda para fobias quando o medo começa a decidir aquilo que consegue ou não consegue fazer.
Por exemplo:
- evita viagens;
- recusa oportunidades profissionais;
- não entra em determinados espaços;
- não consegue fazer exames médicos necessários;
- evita conduzir;
- deixa de sair sozinho;
- tem ataques de pânico perante um estímulo específico;
- passa muito tempo antecipando situações temidas;
- depende constantemente de alguém para enfrentar determinadas actividades;
- reconhece que o medo é excessivo mas não consegue controlá-lo;
- a vida social, familiar ou profissional está a ser afectada.
A Cleveland Clinic inclui precisamente interferência com trabalho, relações e outras áreas importantes da vida entre os critérios utilizados na avaliação das fobias específicas.
Não precisa, contudo, de esperar até cumprir formalmente todos os critérios diagnósticos.
A própria Cleveland Clinic salienta que procurar ajuda quando os sintomas começam a interferir com a vida pode melhorar o prognóstico.
Fobias: Como É Feita uma Avaliação Psicológica?
Uma consulta de Psicologia por fobias começa por compreender o medo específico.
O psicólogo pode perguntar:
O que teme?
Quando começou?
O que pensa que acontecerá?
Que sintomas físicos sente?
O que evita?
Quanto interfere na sua vida?
Que estratégias utiliza para conseguir enfrentar a situação?
Já teve ataques de pânico?
Existe alguma experiência anterior relevante?
Há outros problemas de ansiedade?
A Cleveland Clinic refere que a avaliação se baseia essencialmente na entrevista clínica, sintomas, intensidade, duração, estímulos desencadeantes e impacto na rotina, não sendo necessários exames laboratoriais para diagnosticar uma fobia específica.
Mas a avaliação também serve para distinguir condições diferentes.
Um ataque de pânico dentro de um carro pode decorrer de fobia específica de condução, agorafobia, ansiedade social ou perturbação de pânico, dependendo daquilo que a pessoa realmente teme.
O mesmo comportamento exterior não significa necessariamente o mesmo problema psicológico.
Fobias: Evitar Completamente Aquilo Que Se Teme É uma Boa Solução?
No curto prazo, pode parecer excelente.
Tem medo de voar?
Não voe.
Medo de elevadores?
Use escadas.
Medo de aranhas?
Evite locais onde podem existir.
O problema das fobias é que o mapa daquilo que deve evitar pode crescer.
O medo de voar transforma férias num problema.
A claustrofobia altera emprego e deslocações.
O medo de agulhas impede análises ou tratamentos médicos.
A Cleveland Clinic chama precisamente a atenção para situações em que as pessoas alteram significativamente a sua vida para evitar estímulos fóbicos.
A Canadian Psychological Association refere igualmente que pessoas com fobia tendem a evitar aquilo que temem ou a suportá-lo com sofrimento intenso.
Evitar pode eliminar ansiedade hoje.
Mas pode tornar o medo mais poderoso amanhã.
Fobias: É Possível Superar uma Fobia Que Existe Há Muitos Anos?
Sim.
Uma fobia pode existir durante anos ou décadas e continuar a responder a tratamento.
A Cleveland Clinic refere que as fobias específicas persistentes podem durar muitos anos quando não tratadas, mas que o prognóstico melhora com tratamento.
A meta-análise publicada na Clinical Psychology Review encontrou benefícios importantes dos tratamentos psicológicos, especialmente dos baseados em exposição.
A duração do problema não significa que o cérebro tenha perdido capacidade de aprender.
Uma pessoa que evitou elevadores durante vinte anos acumulou vinte anos de aprendizagem de evitamento.
O tratamento começa a produzir aprendizagem na direcção contrária.
Não é apagar uma memória.
É construir novas respostas.
Fobias: Como a Sua Clínica Pode Ajudar?
Na Sua Clínica, um psicólogo pode ajudar a avaliar o medo, perceber o mecanismo que o mantém e determinar que intervenção psicológica é mais adequada.
O acompanhamento pode ser relevante perante:
fobias específicas;
medo de voar;
medo de alturas;
claustrofobia;
aracnofobia;
ansiedade perante situações específicas;
ataques de pânico ligados a determinados estímulos;
ansiedade antecipatória;
e padrões de evitamento que estejam a restringir a vida.
O psicólogo pode trabalhar pensamentos relacionados com perigo, respostas físicas da ansiedade, comportamentos de segurança e estratégias de evitamento.
Quando clinicamente indicado, abordagens cognitivo-comportamentais e terapia de exposição podem ajudar a pessoa a desenvolver uma resposta diferente perante aquilo que teme.
O tratamento não pretende provar que o mundo é completamente seguro.
Não é.
Pretende tornar a resposta ao risco proporcional, em vez de permitir que um sistema de alarme excessivamente sensível determine o que pode fazer.

Fobias: O Essencial Sobre Sintomas, Evitamento e Tratamento
As fobias são mais do que medos fortes.
Envolvem medo ou ansiedade intensos e persistentes perante determinados objectos ou situações, geralmente desproporcionados relativamente ao perigo real e suficientemente fortes para provocar sofrimento ou interferir com a vida.
Os sintomas das fobias podem incluir:
palpitações;
aperto no peito;
dificuldade respiratória;
tremores;
suor;
tonturas;
necessidade de fugir;
pensamentos catastróficos;
ansiedade antecipatória.
Mas talvez o comportamento mais importante seja o evitamento.
É ele que frequentemente transforma um medo numa prisão progressivamente maior.
A pessoa evita.
Sente alívio.
O cérebro interpreta esse alívio como prova de que evitar era necessário.
E da próxima vez tem ainda menos oportunidade de descobrir que consegue enfrentar a situação.
É precisamente por isso que a terapia de exposição ocupa um lugar tão importante no tratamento das fobias. A investigação mostra um suporte robusto para intervenções psicológicas baseadas em exposição, incluindo exposição gradual e, quando apropriado, contacto in vivo com o estímulo temido.
O objectivo não precisa de ser:
“Nunca mais quero sentir medo.”
O medo continuará a ter uma função.
O objectivo é diferente:
“Não quero que este medo continue a decidir a minha vida.”
Se evita viagens, espaços, animais, alturas, voos ou outras situações por causa de um medo intenso, se sofre ataques de pânico perante determinados estímulos ou se a antecipação da próxima situação já condiciona as suas decisões, marque uma consulta de Psicologia na Sua Clínica.
Um psicólogo pode ajudá-lo a perceber como o ciclo entre medo e evitamento se instalou e a trabalhar, de forma progressiva e clinicamente orientada, para recuperar aquilo que a fobia foi retirando à sua vida.