Uma família pode viver durante anos com o mesmo problema sem conseguir perceber o mecanismo que o mantém.
Os pais dizem que o filho adolescente não respeita regras.
O filho diz que os pais querem controlar tudo.
Quanto mais os pais controlam, mais o adolescente se afasta.
Quanto mais ele se afasta, mais os pais sentem que têm de controlar.
Todos tentam resolver o problema.
E, sem perceberem, todos ajudam a mantê-lo.
É precisamente este tipo de situação que a psicologia familiar procura compreender.
A terapia familiar não parte necessariamente da pergunta “quem está errado?”. Procura perceber como as pessoas comunicam, como reagem umas às outras, que papéis assumem, que limites existem e como determinados comportamentos se transformam em ciclos repetitivos.
A Cleveland Clinic define a terapia familiar como uma forma de psicoterapia centrada na melhoria das relações e dos comportamentos entre membros da família. Pode envolver pais e filhos, irmãos, avós ou outras pessoas significativas, consoante aquilo que faz sentido para cada família.
O CAMH acrescenta uma ideia essencial: a terapia familiar ajuda os membros da família a compreenderem-se melhor, apoiarem-se mutuamente e enfrentarem situações difíceis em conjunto.
Não é necessário, portanto, esperar que a família esteja à beira da ruptura.
Se existe um problema que se repete e as tentativas para o resolver acabam sempre no mesmo lugar, pode ser precisamente o momento de procurar ajuda.
Psicologia familiar: o que é a terapia familiar?
A psicologia familiar olha para os problemas psicológicos e relacionais tendo em conta o contexto em que as pessoas vivem.
Isto não significa afirmar que todos os problemas são provocados pela família.
Significa reconhecer algo bastante simples: aquilo que acontece a uma pessoa afecta as pessoas que vivem com ela — e as reacções dessas pessoas também podem afectar o problema inicial.
Imagine que um membro da família desenvolve depressão.
Começa a isolar-se e deixa de participar em actividades familiares.
Um familiar interpreta esse afastamento como falta de interesse e começa a criticá-lo.
A crítica aumenta o sentimento de inadequação.
A pessoa isola-se ainda mais.
Em pouco tempo, um problema individual passou também a produzir um problema relacional.
A terapia familiar pode ajudar precisamente a compreender estas interacções. O CAMH descreve-a como uma intervenção que procura melhorar a comunicação e as relações, sendo especialmente útil quando as dificuldades de uma pessoa estão a afectar os restantes membros da família ou quando determinadas dinâmicas familiares contribuem para o problema.
É aqui que entram conceitos como dinâmicas familiares, padrões relacionais, limites, comunicação e papéis dentro da família.

Psicologia familiar: o que é a psicoterapia familiar e sistémica?
A psicoterapia familiar e sistémica parte do princípio de que as pessoas fazem parte de sistemas de relações.
Uma pessoa pode ser simultaneamente:
filho;
pai;
marido;
irmão;
cuidador;
e membro de uma família mais alargada.
Cada relação tem regras, expectativas e formas próprias de comunicação.
Na chamada perspectiva sistémica, o problema não é observado apenas “dentro” de uma pessoa. Procura-se também perceber o que acontece entre as pessoas.
A Psychology Today descreve a terapia de sistemas familiares como uma forma de psicoterapia que procura compreender os problemas no contexto da unidade familiar e a maneira como as acções de cada membro influenciam os restantes.
Esta abordagem pode ser particularmente útil quando uma família afirma:
“É sempre ele que cria problemas.”
A psicoterapia familiar pode introduzir outra pergunta:
“O que acontece antes, durante e depois desse comportamento?”
Isto não retira responsabilidade individual.
Permite apenas observar o problema com uma lente mais ampla.
Psicologia familiar: quando procurar um psicólogo familiar?
Não existe um teste que determine automaticamente quando deve procurar um psicólogo familiar.
Um critério simples é perceber se determinado problema começou a afectar repetidamente as relações familiares e se as tentativas para o resolver parecem conduzir sempre ao mesmo resultado.
Pode fazer sentido procurar uma consulta de psicologia familiar quando existem:
- discussões constantes;
- dificuldades persistentes de comunicação;
- conflitos entre pais e filhos;
- afastamento emocional;
- problemas de parentalidade;
- dificuldade em estabelecer limites;
- conflitos entre irmãos;
- alterações importantes na estrutura familiar;
- separação ou divórcio;
- dificuldades de coparentalidade;
- doença de um familiar;
- luto;
- mudanças de casa ou país;
- problemas psicológicos de um membro que afectam toda a família;
- padrões negativos que parecem repetir-se de geração em geração.
A HelpGuide sublinha que uma família não precisa de estar em crise para beneficiar de terapia. Mudanças na composição familiar, nas circunstâncias ou nos níveis de stress podem ser suficientes para justificar a procura de ajuda.
Esperar que a situação se torne insustentável raramente oferece uma vantagem terapêutica.
Psicologia familiar: quais são os sinais de que os conflitos familiares se tornaram um padrão?
Todas as famílias discutem.
A ausência total de conflito não é um objectivo realista da psicologia familiar.
O problema começa quando os conflitos familiares assumem uma forma rígida e previsível.
Por exemplo:
A mãe faz uma crítica.
O pai responde defensivamente.
A mãe aumenta o tom.
O filho tenta intervir.
O pai acusa a mãe de pôr o filho contra ele.
O filho sai da sala.
A mãe acusa o pai de ter estragado tudo.
No dia seguinte, ninguém fala sobre o assunto.
Até à próxima discussão.
O tema inicial pode mudar.
O padrão permanece.
A HelpGuide refere que a terapia familiar pode ajudar a trabalhar conflitos antigos, aprender formas mais construtivas de resolver desacordos e desenvolver competências de comunicação, incluindo escuta activa.
A psicologia familiar tenta, em primeiro lugar, tornar estes ciclos visíveis.
É difícil alterar um padrão que ninguém consegue ver enquanto está dentro dele.
Psicologia familiar: como pode melhorar a comunicação familiar?
“Não conseguimos comunicar” é uma das frases mais frequentes numa consulta de psicologia familiar.
Mas, na realidade, as famílias comunicam constantemente.
Até o silêncio comunica.
A questão é como comunicam.
Imagine uma mãe que diz ao filho adulto:
“Nunca telefonas.”
Talvez queira dizer:
“Tenho saudades tuas.”
Mas o filho ouve:
“És um mau filho.”
E responde:
“Também podias telefonar.”
A mãe ouve:
“Não quero saber de ti.”
Em poucos segundos, uma tentativa de proximidade transforma-se num conflito.
A comunicação familiar não depende apenas das palavras utilizadas. Depende também das interpretações, expectativas e emoções que essas palavras activam.
A terapia familiar pode ajudar cada pessoa a explicar o que sente e necessita, a ouvir sem preparar imediatamente uma defesa e a identificar padrões em que críticas, silêncio, acusações ou retirada emocional alimentam o conflito.
A Cleveland Clinic refere precisamente que o terapeuta pode incentivar cada membro a falar e ouvir, clarificar sentimentos e palavras, ajudar as pessoas a compreender o impacto do próprio comportamento e procurar novas formas de interacção.
O objectivo não é que todos concordem.
É aprender a discordar sem transformar cada diferença numa guerra familiar.
Psicologia familiar: como funciona uma consulta de psicologia familiar?
Uma primeira consulta de psicologia familiar começa normalmente por perceber o que trouxe a família à terapia.
O psicólogo pode perguntar:
Qual é o problema?
Quando começou?
Quem está mais preocupado?
O que acontece quando surge?
O que já tentaram fazer?
Houve mudanças recentes?
O que gostaria cada pessoa que fosse diferente?
Não é necessário chegar à sessão com uma explicação organizada.
Pode começar simplesmente por dizer:
“Estamos sempre a discutir.”
“Já não conseguimos falar com o nosso filho.”
“Desde o divórcio, tudo ficou pior.”
“Não sabemos o que fazer.”
A partir daí, o psicólogo familiar procura identificar relações, sequências e padrões.
Segundo a Cleveland Clinic, as sessões podem envolver todos os familiares ou apenas alguns e, quando é clinicamente útil, o terapeuta pode encontrar-se individualmente com determinados membros da família. A duração global do acompanhamento também varia em função do problema e dos objectivos.
Portanto, terapia familiar não significa necessariamente reunir toda a família em todas as sessões.
Psicologia familiar: todos os membros da família têm de participar?
Não.
Na psicologia familiar, a composição das sessões deve depender do problema e dos objectivos terapêuticos.
Pode existir uma sessão com ambos os pais.
Outra com pais e filhos.
Outra apenas com determinados familiares.
E, em alguns casos, pode fazer sentido trabalhar com uma única pessoa sobre as suas relações familiares.
A Clearview salienta que nem todas as modalidades de terapia familiar exigem a participação simultânea de todos os membros. Algumas intervenções podem ser realizadas com apenas uma pessoa, enquanto outras beneficiam da participação de vários familiares.
Isto é especialmente importante quando alguém pensa:
“A minha família nunca aceitaria ir à terapia, portanto não vale a pena eu procurar ajuda.”
Pode valer.
Não consegue obrigar outras pessoas a mudar.
Mas pode alterar a maneira como responde, estabelece limites e participa numa determinada dinâmica.
E uma alteração numa relação frequentemente provoca alterações nas respostas dos outros.
Psicologia familiar: que tipos de terapia familiar existem?
Não existe uma única forma de terapia familiar.
Há várias abordagens utilizadas em psicologia familiar e psicoterapia familiar.
A terapia estrutural analisa, por exemplo, os limites, hierarquias e papéis dentro da família.
Quem exerce autoridade?
Os papéis parentais estão claros?
Há fronteiras demasiado rígidas ou demasiado difusas?
A terapia sistémica procura compreender o funcionamento das relações e o contexto em que os problemas surgem.
As abordagens estratégicas tendem a concentrar-se em ciclos específicos de comportamento e em alterações práticas.
Outras abordagens exploram padrões transmitidos entre gerações ou trabalham as necessidades emocionais e de vinculação existentes nas relações.
A Clearview identifica, entre outras, terapia familiar estrutural, Boweniana, narrativa, focada nas emoções e estratégica, sublinhando que a escolha deve depender das características e necessidades da família.
A Cleveland Clinic descreve igualmente modalidades estrutural, estratégica e sistémica, entre outras.
Não é necessário que a família saiba antecipadamente qual destas abordagens precisa.
Essa é precisamente uma das funções da avaliação clínica.
Psicologia familiar: como pode ajudar nos conflitos entre pais e filhos?
Os conflitos entre pais e filhos são uma das razões mais frequentes para procurar psicologia familiar.
Sobretudo durante a adolescência, existe uma tensão inevitável.
Os pais continuam responsáveis por regras e limites.
O adolescente procura autonomia.
Um pai pensa:
“Ele tem de aprender a respeitar regras.”
O adolescente pensa:
“Eles não confiam em mim.”
Quanto mais os pais apertam o controlo, mais o jovem tenta escapar.
Quanto mais ele tenta escapar, mais os pais acreditam que o controlo é necessário.
A família pode ficar presa nesta luta durante anos.
A terapia familiar pode ajudar a distinguir:
autonomia de ausência de limites;
preocupação de controlo excessivo;
privacidade de secretismo;
autoridade parental de autoritarismo.
A Cleveland Clinic inclui especificamente conflitos entre pais e filhos entre as situações em que a terapia familiar pode ser útil e refere que algumas modalidades trabalham directamente competências parentais, comunicação e comportamentos problemáticos em crianças ou adolescentes.
O objectivo não é pôr o psicólogo do lado dos pais ou do lado do filho.
É encontrar uma forma de a família deixar de repetir a mesma batalha.

Psicologia familiar: como pode ajudar na parentalidade?
A parentalidade envolve uma quantidade extraordinária de decisões sobre as quais dois adultos podem ter opiniões completamente diferentes.
Sono.
Escola.
Telemóveis.
Horários.
Disciplina.
Autonomia.
Dinheiro.
Saídas.
Amigos.
Um dos pais pode ser mais permissivo.
O outro, mais rígido.
Se esta diferença não for trabalhada, a criança percebe rapidamente que existem dois sistemas de regras.
Pergunta ao pai.
Recebe um “não”.
Vai perguntar à mãe.
Recebe um “sim”.
Agora o problema já não é apenas a criança.
Os pais começam a discutir entre si.
A psicologia familiar pode ajudar os adultos a construir maior coerência parental, estabelecer limites adequados à idade e distinguir diferenças legítimas entre estilos parentais de conflitos que estão a prejudicar o funcionamento da família.
A terapia estrutural, por exemplo, presta particular atenção à hierarquia, às fronteiras e aos papéis familiares.
Pais coerentes não têm de pensar exactamente da mesma maneira.
Precisam de conseguir tomar decisões sem colocar os filhos no meio do conflito.
Psicologia familiar: como pode ajudar no divórcio e coparentalidade?
Um divórcio termina a relação conjugal.
Quando existem filhos, a parentalidade continua.
Por isso, divórcio e coparentalidade são temas frequentes na psicologia familiar.
Os ex-parceiros continuam a ter de tomar decisões sobre:
escola;
saúde;
férias;
horários;
actividades;
regras;
despesas;
e dezenas de pequenos assuntos quotidianos.
Quando o conflito conjugal passa directamente para a coparentalidade, os filhos podem tornar-se intermediários.
“Diz ao teu pai que…”
“Pergunta à tua mãe…”
“Na casa da mãe podes, mas aqui não.”
A HelpGuide e o CAMH incluem separação e divórcio entre as situações em que a terapia familiar pode ser útil.
O apoio psicológico para famílias não pretende obrigar dois ex-cônjuges a gostarem um do outro.
Pode ajudá-los a separar duas coisas:
a relação conjugal que terminou;
e a responsabilidade parental que permanece.
Psicologia familiar: como pode ajudar no luto familiar?
O luto familiar pode alterar profundamente as relações.
Duas pessoas podem perder a mesma pessoa e reagir de formas completamente diferentes.
Uma quer falar constantemente.
Outra fecha-se.
Uma chora.
Outra parece funcionar normalmente.
Uma criança pergunta repetidamente pela pessoa que morreu.
Um adolescente evita qualquer conversa sobre o assunto.
Nenhuma destas reacções é automaticamente errada.
Mas podem surgir conflitos quando cada pessoa interpreta a forma de luto dos outros segundo a sua própria experiência.
“Parece que não te importas.”
“Só falas disto.”
“Já devias ter ultrapassado.”
A psicologia familiar pode proporcionar um espaço onde estas diferenças são compreendidas sem exigir que todos vivam a perda da mesma maneira.
Tanto a Cleveland Clinic como o CAMH identificam morte e luto como situações em que a terapia familiar pode ser particularmente útil.
O objectivo não é eliminar o sofrimento de uma perda.
É ajudar a família a atravessá-lo sem perder também a capacidade de se apoiar.
Psicologia familiar: como pode ajudar quando um familiar tem um problema de saúde mental?
Por vezes, a procura de apoio psicológico familiar começa com o diagnóstico ou as dificuldades psicológicas de apenas uma pessoa.
PHDA.
Uma perturbação do comportamento.
Ou outra dificuldade psicológica.
A questão não é transformar a família em terapeuta.
É ajudá-la a perceber aquilo que está a acontecer e a distinguir apoio de comportamentos que, com boa intenção, podem manter o problema.
A Cleveland Clinic refere que a terapia familiar pode complementar o tratamento de diferentes perturbações psicológicas e comportamentais e destaca a psicoeducação como uma parte importante do trabalho com famílias.
O CAMH também refere que a terapia familiar pode ser utilizada quando um membro apresenta problemas como POC/OCD, depressão ou perturbação bipolar.
Isto não substitui o tratamento individual necessário.
Complementa-o quando a família faz parte relevante do contexto.
Psicologia familiar: terapia familiar ou terapia individual?
Nem todos os problemas dentro de uma família devem ser tratados através de psicologia familiar.
Por vezes, a terapia individual é a opção mais adequada.
Se uma pessoa tem uma dificuldade psicológica que necessita de um espaço próprio e confidencial, pode fazer sentido começar por acompanhamento individual.
Noutras situações, o problema existe sobretudo entre pessoas.
Aí, a terapia familiar pode ser mais indicada.
E podem existir ambas.
Por exemplo:
Um adolescente pode ter acompanhamento individual para ansiedade enquanto os pais trabalham questões de parentalidade.
Uma pessoa pode fazer psicoterapia individual enquanto algumas sessões familiares trabalham conflitos específicos.
A terapia familiar também não deve ser utilizada mecanicamente em qualquer situação. É necessária avaliação, sobretudo quando existem questões de segurança, coerção ou outros factores que possam tornar uma sessão conjunta inadequada.
Não há mérito em colocar toda a família na mesma sala só porque o problema envolve familiares.
O formato tem de servir o tratamento.
Psicologia familiar: psicólogo ou psiquiatra, qual é a diferença?
Ao procurar psicologia familiar, é natural surgir a dúvida entre psicólogo e psiquiatra.
O psicólogo não é médico.
Em Portugal, a Ordem dos Psicólogos Portugueses explica que os psicólogos dispõem de instrumentos e técnicas próprias de avaliação e de intervenção psicológica e trabalham através da relação terapêutica, não prescrevendo medicamentos.
O psiquiatra é médico e pode realizar avaliação médica e prescrever medicação quando clinicamente indicada.
Assim, se a dificuldade central envolve:
comunicação familiar;
conflitos familiares;
relações familiares;
parentalidade;
relações entre pais e filhos;
divórcio e coparentalidade;
ou outros padrões relacionais,
um psicólogo com experiência em trabalho familiar pode ser um ponto de partida adequado.
Se existirem sintomas que justifiquem avaliação médica ou tratamento farmacológico, pode ser necessário encaminhamento médico.
Psicologia e Psiquiatria não são concorrentes.
Têm funções diferentes e podem ser complementares.
A Sua Clínica centra a sua actividade em Psicologia e Psicoterapia; não apresenta Psiquiatria como serviço. Quando uma situação ultrapassa esse âmbito e necessita de avaliação médica, o encaminhamento adequado é a resposta clinicamente responsável.
Psicologia familiar: como escolher um psicólogo familiar?
Escolher um psicólogo familiar não deve limitar-se a encontrar o primeiro horário disponível.
Procure saber se o profissional tem experiência relevante em:
terapia familiar;
psicoterapia familiar e sistémica;
parentalidade;
conflitos entre pais e filhos;
divórcio;
luto;
relações familiares;
ou precisamente no problema que levou a família a pedir ajuda.
A Psychology Today recomenda procurar um profissional qualificado e experiente em sistemas familiares, incluindo padrões disfuncionais, lutas de poder e problemas de comunicação, salientando também a importância de a família se sentir confortável com o terapeuta.
Em Portugal, deve igualmente confirmar que quem se apresenta como psicólogo está inscrito na Ordem dos Psicólogos Portugueses. A inscrição como membro efectivo é condição legal para exercer Psicologia, e a OPP disponibiliza um directório público para essa verificação.
Um bom psicólogo familiar não precisa de descobrir quem ganha a discussão.
Precisa de conseguir trabalhar com várias perspectivas sem perder de vista aquilo que precisa efectivamente de mudar.
Psicologia familiar: quanto custa uma consulta?
O preço de uma consulta de psicologia familiar depende da clínica, do profissional, do número e duração das sessões e do formato específico do acompanhamento.
Na Sua Clínica, as consultas de Psicologia têm actualmente 50 minutos e os preços anunciados começam a partir de 35€. A clínica disponibiliza acompanhamento psicológico presencial e por videochamada.
No caso da intervenção familiar, deve confirmar antes da marcação o preço concreto da consulta e o profissional disponível, já que o formato pode não ser exactamente igual ao de uma consulta individual.
O número de sessões também não é universal.
A Cleveland Clinic refere que a duração da terapia familiar varia muito: algumas famílias precisam de poucas sessões, enquanto situações mais complexas podem justificar um acompanhamento mais prolongado.
Portanto, perguntar “quanto custa a terapia familiar?” envolve duas perguntas:
Quanto custa cada sessão?
E durante quanto tempo será necessário o acompanhamento?
A segunda só pode começar a ser respondida depois de compreender o problema.
Psicologia familiar: quanto tempo demora a terapia familiar?
Não existe um número obrigatório de sessões de psicologia familiar.
Uma família pode procurar ajuda por um conflito muito específico e relativamente recente.
Outra pode trazer padrões que existem há quinze anos.
Não são o mesmo problema.
A Cleveland Clinic refere que a terapia familiar pode ser breve ou prolongar-se durante meses, consoante as dificuldades, os objectivos e o envolvimento da família no processo.
A Clearview observa igualmente que intervenções estratégicas mais breves podem desenvolver-se, por exemplo, em oito a doze sessões, enquanto abordagens centradas em padrões relacionais mais profundos podem necessitar de mais tempo.
Mais sessões não significam necessariamente melhor terapia.
Menos sessões não significam necessariamente maior eficácia.
O importante é existir um objectivo e avaliar se alguma coisa está realmente a mudar.
Psicologia familiar: o psicólogo vai decidir quem tem razão?
Esta preocupação aparece frequentemente antes de uma consulta de psicologia familiar.
“E se o psicólogo ficar do lado dela?”
“E se ele disser que nós é que somos maus pais?”
Mas a terapia familiar não deveria transformar-se num julgamento.
A HelpGuide salienta precisamente que o objectivo não é atribuir culpa nem reabrir ressentimentos apenas para decidir quem esteve errado, mas aumentar compreensão e procurar soluções em conjunto.
O CAMH vai na mesma direcção: uma das funções do terapeuta é ajudar a família a abandonar a lógica de culpa e perceber de que forma pode trabalhar conjuntamente para produzir mudanças.
Isso não significa que todos os comportamentos sejam equivalentes.
Um psicólogo pode identificar claramente um comportamento inadequado.
Mas existe uma grande diferença entre dizer:
“Este comportamento está a prejudicar a relação.”
e:
“Esta pessoa é o problema da família.”
A primeira frase abre uma possibilidade de mudança.
A segunda muitas vezes fecha-a.
Psicologia familiar: o que acontece entre as sessões?
A psicologia familiar só produz mudança se algo diferente começar também a acontecer fora da consulta.
A família pode praticar novas formas de comunicação.
Experimentar regras diferentes.
Alterar uma sequência de conflito.
Criar momentos específicos de conversa.
Ou testar uma resposta nova perante um comportamento que costumava provocar uma reacção automática.
A HelpGuide refere que os terapeutas podem propor exercícios entre sessões, incluindo a prática de novas competências de comunicação ou outras estratégias trabalhadas durante a terapia.
Pense num padrão simples:
Pai critica → filho grita → pai grita mais.
Uma pequena mudança pode começar por:
Pai critica → filho sente vontade de gritar → pede cinco minutos antes de responder.
Não parece revolucionário.
Mas interrompe uma cadeia.
Em terapia, pequenas mudanças repetidas podem alterar estruturas muito antigas.

Psicologia familiar: a terapia pode funcionar se a família não concorda sobre qual é o problema?
Sim — e isso é bastante comum.
Uma família raramente chega à psicologia familiar com uma teoria consensual.
O pai diz:
“O problema é a falta de disciplina.”
A mãe diz:
“O problema é que ele é demasiado rígido.”
O filho diz:
“O problema são os meus pais.”
Todos podem estar a observar partes diferentes do mesmo sistema.
O terapeuta não precisa de escolher imediatamente uma versão.
A própria discordância é informação clínica.
Como refere a Cleveland Clinic, o profissional procura conhecer as preocupações, dificuldades e expectativas de cada membro, ajudar todos a ouvir-se e clarificar o impacto que comportamentos e palavras têm nos restantes.
Por vezes, o primeiro progresso não é resolver o conflito.
É finalmente compreender qual é o conflito.
Psicologia familiar: como marcar uma consulta na Sua Clínica?
Se existem conflitos familiares, dificuldades de comunicação familiar, tensão entre pais e filhos, problemas de parentalidade, uma separação, divórcio e coparentalidade, luto familiar ou outras dificuldades nas relações, pode começar por marcar uma consulta de Psicologia.
Não precisa de saber antecipadamente se aquilo de que precisa se chama:
terapia familiar;
psicoterapia familiar;
psicoterapia familiar e sistémica;
ou acompanhamento individual.
A avaliação inicial existe precisamente para ajudar a perceber o que está a acontecer e qual o formato de intervenção mais adequado.
Na Sua Clínica, pode marcar directamente, sem referência médica. As consultas de Psicologia duram actualmente 50 minutos e os preços publicados começam nos 35€.
O primeiro passo pode ser tão simples como dizer:
“Estamos sempre a ter a mesma discussão e já não sabemos sair dela.”
Isso é informação suficiente para começar.
Psicologia familiar: quando é o momento certo para procurar apoio psicológico para famílias?
Talvez a melhor altura para procurar apoio psicológico para famílias seja antes de todos terem desistido de tentar falar.
Uma família não precisa de ser perfeita.
Precisa de conseguir adaptar-se.
Os filhos crescem.
Os pais envelhecem.
Há separações.
Novas relações.
Mudanças de casa.
Doença.
Luto.
Problemas financeiros.
Conflitos.
A própria estrutura da família muda ao longo do tempo.
A terapia familiar existe porque nenhuma destas mudanças acontece a uma pessoa completamente isolada das restantes.
O CAMH descreve a terapia familiar como um espaço para compreender e trabalhar emoções difíceis, melhorar interacções e ajudar os membros da família a apoiarem-se mutuamente.
E a Cleveland Clinic salienta que pode ajudar tanto em conflitos relacionais como durante mudanças importantes, doença, divórcio e luto.
A pergunta decisiva pode, portanto, ser bastante simples:
A nossa família está a conseguir resolver este problema ou estamos apenas a repeti-lo?
Se a resposta for a segunda, procurar psicologia familiar não significa admitir que a família falhou.
Significa admitir que aquilo que estão a fazer não está a funcionar — e experimentar outra forma de fazer.
Na Sua Clínica, pode procurar um psicólogo para avaliar as dificuldades da sua família, perceber que tipo de apoio é mais adequado e iniciar acompanhamento psicológico. Marque a sua consulta e comece por compreender o padrão antes de tentar, pela centésima vez, resolver apenas a próxima discussão.