Durante algumas semanas, uma pessoa quase não dorme.
Não parece cansada.
Fala mais depressa do que é habitual, começa vários projectos ao mesmo tempo, sente uma confiança extraordinária nas próprias capacidades e tem ideias que lhe parecem brilhantes.
Gasta milhares de euros numa decisão impulsiva.
Diz à família:
“Nunca estive tão bem.”
Meses depois, a mesma pessoa mal consegue levantar-se da cama.
Tudo parece exigir um esforço enorme.
Perde o interesse pelo trabalho, pelos amigos e pelas actividades que antes lhe davam prazer.
Pensa:
“Estraguei tudo.”
Esta alternância não é simplesmente “ter dias bons e dias maus”.
Pode fazer parte de um transtorno bipolar, uma perturbação do humor caracterizada por episódios de mania ou hipomania e episódios depressivos.
Em Portugal, perturbação bipolar ou doença bipolar são designações mais habituais no contexto clínico. Neste artigo utilizamos também transtorno bipolar porque é uma expressão frequentemente pesquisada por quem procura compreender os sintomas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 37 milhões de pessoas viviam com perturbação bipolar em 2021, aproximadamente 0,5% da população mundial. A condição pode afectar profundamente relações, trabalho, sono, capacidade de decisão e qualidade de vida, mas existem tratamentos eficazes e é possível atingir períodos prolongados de estabilidade.
O primeiro passo é perceber uma distinção essencial:
transtorno bipolar não significa simplesmente mudar de humor com facilidade.
Transtorno bipolar: o que é a perturbação bipolar?
O transtorno bipolar é uma perturbação do humor em que ocorrem episódios anormalmente elevados ou irritáveis – mania ou hipomania – e, frequentemente, episódios de depressão.
A Mayo Clinic descreve a perturbação bipolar como uma condição de saúde mental que provoca alterações extremas do humor, incluindo períodos de elevação emocional e energética e períodos de depressão. Estas alterações podem afectar sono, energia, actividade, comportamento, capacidade de decisão e pensamento.
O ponto importante é a palavra episódio.
Todos podemos acordar optimistas numa Segunda-feira e irritados na Terça-feira.
Isso não significa bipolaridade.
Num episódio bipolar existe uma alteração significativa relativamente ao funcionamento habitual da pessoa, acompanhada por um conjunto de sintomas que persiste durante um período clinicamente relevante.
A pessoa não está simplesmente “mais contente”.
Pode dormir três horas e sentir que não precisa de mais.
Não está apenas “mais confiante”.
Pode passar a acreditar que possui capacidades extraordinárias.
Não está apenas “mais activa”.
Pode iniciar dezenas de projectos, falar incessantemente, gastar de forma impulsiva ou assumir riscos que normalmente evitaria.
É a intensidade, duração, conjunto de sintomas e impacto funcional que importa.

Transtorno bipolar: quais são os principais sintomas do transtorno bipolar?
Os sintomas do transtorno bipolar dependem do tipo de episódio que a pessoa está a atravessar.
Durante uma fase de mania ou hipomania, podem surgir:
- aumento invulgar de energia;
- euforia;
- irritabilidade intensa;
- necessidade muito reduzida de dormir;
- fala rápida;
- pensamentos acelerados;
- dificuldade de concentração;
- aumento da actividade;
- auto-estima exagerada;
- ideias de grandiosidade;
- impulsividade;
- gastos excessivos;
- comportamentos sexuais de risco;
- decisões financeiras imprudentes.
Durante um episódio depressivo, podem aparecer:
- tristeza persistente;
- perda de prazer;
- falta de energia;
- alterações do sono;
- alterações do apetite;
- dificuldade de concentração;
- sentimentos de culpa;
- sentimentos de inutilidade;
- desesperança;
- isolamento;
- pensamentos relacionados com morte ou suicídio.
A OMS distingue claramente estes dois pólos e salienta que os episódios maníacos podem envolver euforia, irritabilidade, diminuição da necessidade de dormir, aceleração do pensamento e comportamentos de risco, enquanto os episódios depressivos podem envolver tristeza, perda de interesse, baixa energia, alterações do sono e sentimentos de desesperança.
Mas nem todas as pessoas apresentam exactamente o mesmo padrão.
É uma das razões pelas quais fazer autodiagnóstico apenas através de uma lista de sintomas pode ser enganador.
Transtorno bipolar: o que é um episódio maníaco?
A mania é uma das características centrais do transtorno bipolar tipo I.
Durante um episódio maníaco, a pessoa apresenta uma alteração marcada do humor e da energia.
Pode sentir-se extraordinariamente feliz.
Ou extraordinariamente irritável.
Pode dizer:
“Finalmente percebi do que sou capaz.”
Dormir muito pouco.
Começar vários negócios.
Telefonar a dezenas de pessoas durante a noite.
Fazer compras que não consegue pagar.
Tomar decisões que, semanas depois, mal consegue reconhecer como suas.
Segundo a Mayo Clinic, um episódio maníaco ou hipomaníaco pode incluir aumento de actividade e energia, necessidade reduzida de sono, fala excessiva, pensamentos acelerados, distraibilidade e decisões impulsivas ou perigosas. A mania é mais grave do que a hipomania e pode causar prejuízo acentuado no funcionamento ou, em alguns casos, psicose.
É importante perceber que a mania nem sempre é vivida como sofrimento no momento.
Pelo contrário.
A pessoa pode sentir-se excepcionalmente produtiva, criativa ou poderosa.
Por isso, às vezes são familiares, amigos ou colegas que primeiro percebem que algo mudou.
Transtorno bipolar: qual é a diferença entre mania e hipomania?
A hipomania apresenta características semelhantes à mania, mas com intensidade inferior.
Uma pessoa em hipomania pode:
dormir menos;
falar mais;
sentir-se extremamente produtiva;
ter mais energia;
ficar mais sociável;
ter mais ideias;
tornar-se mais impulsiva.
E pode pensar:
“Estou óptimo. Porque haveria de procurar ajuda?”
A diferença fundamental é que a mania provoca maior perturbação do funcionamento e pode ser suficientemente grave para exigir hospitalização ou envolver sintomas psicóticos. A hipomania é menos intensa e, por definição, não produz o mesmo grau de comprometimento.
Menos grave, contudo, não significa irrelevante.
A hipomania é essencial para reconhecer o transtorno bipolar tipo II.
E muitas pessoas procuram ajuda não durante a hipomania, mas durante a depressão que surge depois.
Transtorno bipolar: o que é o transtorno bipolar tipo I?
O transtorno bipolar tipo I é definido pela ocorrência de pelo menos um episódio maníaco.
Podem também existir episódios depressivos e hipomaníacos, mas não são necessários da mesma forma para estabelecer o diagnóstico de tipo I.
Segundo a OMS, pessoas com bipolaridade tipo I apresentam um ou mais episódios maníacos, frequentemente intercalados com episódios depressivos.
A Mayo Clinic salienta ainda que a mania no tipo I pode tornar-se suficientemente grave para provocar ruptura com a realidade, isto é, psicose.
É por isso que um verdadeiro episódio maníaco não deve ser reduzido à ideia popular de:
“Ele está numa fase muito energética.”
Pode ser uma situação clínica grave.
Transtorno bipolar: o que é o transtorno bipolar tipo II?
No transtorno bipolar tipo II, a pessoa teve pelo menos um episódio hipomaníaco e pelo menos um episódio depressivo major, mas não teve um episódio maníaco.
Isto é importante porque existe a ideia errada de que o tipo II é simplesmente uma versão “ligeira” do tipo I.
Não é.
A Mayo Clinic refere explicitamente que o transtorno bipolar II não é uma forma mais leve do bipolar I. As pessoas com tipo II podem ter episódios depressivos prolongados e profundamente incapacitantes.
Assim, alguém com transtorno bipolar tipo II pode procurar psicoterapia dizendo:
“Tenho depressões que voltam sempre.”
A hipomania passada pode não ser reconhecida como problema.
Talvez tenha sido recordada como:
“Aquela altura em que eu estava incrivelmente produtivo.”
É precisamente esta história longitudinal que torna o diagnóstico do transtorno bipolar mais complexo do que preencher um questionário.
Transtorno bipolar: o que é a depressão bipolar?
A depressão bipolar pode parecer, à primeira vista, uma depressão major.
A pessoa sente-se triste ou vazia.
Perde interesse.
Fica exausta.
Dorme demasiado ou demasiado pouco.
Tem dificuldade em pensar.
Pode sentir culpa ou inutilidade.
A diferença não está necessariamente na aparência do episódio depressivo isolado.
Está na história completa.
Houve anteriormente períodos de mania?
Houve hipomania?
Existiram fases de energia, actividade e confiança radicalmente diferentes do funcionamento habitual?
É por isso que um diagnóstico baseado exclusivamente no momento presente pode falhar.
A Cleveland Clinic salienta que diagnosticar a perturbação bipolar pode levar tempo precisamente porque os sintomas se parecem com os de outras condições e é necessário compreender como o humor se alterou ao longo do tempo. Não existe uma análise ao sangue, questionário ou exame cerebral que, sozinho, faça o diagnóstico.
Transtorno bipolar: alterações de humor significam bipolaridade?
Não.
Esta é talvez uma das maiores confusões em torno do transtorno bipolar.
“Hoje está contente, amanhã está zangado. É bipolar.”
Clinicamente, isto diz muito pouco.
A bipolaridade não é sinónimo de instabilidade emocional quotidiana.
Os episódios bipolares desenvolvem-se segundo padrões de duração, intensidade e alteração do funcionamento muito diferentes das flutuações emocionais normais.
A OMS explica que os episódios depressivos se distinguem das oscilações habituais do humor porque os sintomas persistem durante grande parte do dia, quase todos os dias, durante pelo menos duas semanas. Os episódios maníacos e hipomaníacos apresentam igualmente um conjunto característico de alterações de humor, energia e actividade.
Por isso:
Ter uma discussão de manhã e sentir-se feliz à tarde não significa transtorno bipolar.
Mudar rapidamente de opinião também não.
Ser emocionalmente intenso também não.
Um diagnóstico exige uma avaliação muito mais cuidadosa.
Transtorno bipolar: quais são as causas do transtorno bipolar?
As causas do transtorno bipolar ainda não estão completamente esclarecidas.
Não existe uma única explicação.
A Mayo Clinic refere factores biológicos e genéticos, salientando que a perturbação é mais frequente entre pessoas com familiares de primeiro grau que também apresentam bipolaridade.
A OMS descreve igualmente uma combinação de factores biológicos, incluindo genéticos, psicológicos, sociais e estruturais. Determinados acontecimentos de vida adversos, stress significativo, consumo de álcool ou drogas podem contribuir para desencadear ou agravar episódios em pessoas vulneráveis.
Isto significa que não faz sentido procurar uma causa única do tipo:
“Foi o divórcio.”
“O trabalho provocou a doença.”
“É porque teve uma infância difícil.”
Um acontecimento pode funcionar como desencadeante.
Não significa necessariamente que seja a causa fundamental da perturbação.
Transtorno bipolar: o transtorno bipolar é culpa da pessoa?
Não.
O transtorno bipolar é uma condição de saúde mental real e potencialmente grave.
Não é falta de força de vontade.
Não é egoísmo.
Não é simplesmente “ter mau feitio”.
E uma pessoa em mania não decide racionalmente:
“Hoje vou dormir apenas duas horas e tomar decisões impulsivas.”
Ao mesmo tempo, compreender uma condição psicológica não significa retirar toda a responsabilidade pelas consequências do comportamento.
É possível sustentar duas ideias simultaneamente:
a pessoa não escolheu ter a perturbação;
e
o tratamento e a gestão da doença continuam a exigir participação activa.
A OMS sublinha precisamente que, apesar de os episódios poderem voltar, a recuperação é possível e pessoas com bipolaridade podem viver vidas produtivas e significativas quando recebem tratamento apropriado.
O diagnóstico não é uma condenação.
É uma informação que permite tratar melhor o problema.
Transtorno bipolar: como é feito o diagnóstico do transtorno bipolar?
Não existe um teste simples para o diagnóstico do transtorno bipolar.
O profissional precisa de reconstruir a história do humor ao longo do tempo.
Pode explorar:
Quando começaram os sintomas?
Existiram episódios de energia anormalmente elevada?
Quanto tempo duraram?
Quanto dormia?
Continuava cansado ou não?
Falava mais?
Gastou dinheiro de forma invulgar?
Tomou decisões impulsivas?
Houve períodos depressivos?
Existiram sintomas psicóticos?
Como era o funcionamento entre episódios?
Há história familiar?
Existem medicamentos, drogas ou problemas médicos que possam explicar os sintomas?
A Cleveland Clinic refere que o diagnóstico depende da avaliação dos sintomas, da história clínica e da evolução do humor, podendo também ser necessário excluir condições médicas ou consumo de substâncias. Familiares ou pessoas próximas podem por vezes fornecer informação importante sobre alterações que o próprio não reconheceu durante um episódio.
Um questionário de rastreio pode levantar uma hipótese.
Não confirma sozinho um transtorno bipolar diagnóstico.
Transtorno bipolar: porque é que o diagnóstico pode ser confundido com PHDA?
O transtorno bipolar e a PHDA podem apresentar algumas características aparentemente semelhantes.
Distracção.
Impulsividade.
Falar muito.
Agitação.
Dificuldade de concentração.
Mas existe uma diferença clínica importante.
A PHDA é uma perturbação do neurodesenvolvimento cujos sintomas tendem a constituir um padrão persistente.
A bipolaridade caracteriza-se por episódios de alteração do humor e energia.
A literatura sobre diagnóstico diferencial salienta precisamente que a bipolaridade é episódica, enquanto os sintomas de PHDA tendem a manter-se entre episódios. Além disso, as duas condições podem coexistir.
Imagine duas pessoas que dormem pouco.
Uma com PHDA ficou acordada porque perdeu a noção do tempo a trabalhar.
Na manhã seguinte está exausta.
Uma pessoa em mania pode dormir três horas durante vários dias e sentir que simplesmente não precisa de dormir mais.
A aparência é semelhante.
O mecanismo é diferente.

Transtorno bipolar: qual é a diferença entre transtorno bipolar e perturbação borderline?
A confusão entre transtorno bipolar e perturbação borderline é particularmente frequente porque ambas podem envolver impulsividade e alterações emocionais.
Mas não são a mesma condição.
A perturbação bipolar é uma perturbação do humor caracterizada por episódios de mania ou hipomania e depressão.
A perturbação borderline é uma perturbação da personalidade em que podem existir instabilidade emocional, relações intensas e instáveis, medo de abandono, alterações da identidade e impulsividade.
Uma diferença importante está no padrão temporal.
Na perturbação borderline, alterações emocionais podem ocorrer rapidamente e estar intimamente ligadas a acontecimentos interpessoais – por exemplo, sentir rejeição ou abandono.
Na bipolaridade, os episódios de mania, hipomania ou depressão tendem a apresentar uma duração e um conjunto de sintomas mais sustentados. A Cleveland Clinic destaca precisamente esta diferença entre a reactividade emocional da perturbação borderline e os episódios mais persistentes da bipolaridade.
Contudo, a distinção pode ser difícil e as duas condições podem coexistir. A Mayo Clinic inclui, aliás, PHDA e traços ou perturbação borderline entre as condições que podem ocorrer simultaneamente com bipolaridade.
É por isso que listas de sintomas na Internet não substituem avaliação.
Transtorno bipolar: qual é a diferença entre transtorno bipolar e POC?
A perturbação obsessivo-compulsiva (POC) e o transtorno bipolar também são condições diferentes.
Na POC, o núcleo do problema envolve obsessões e compulsões.
A pessoa pode ter pensamentos intrusivos:
“E se eu contaminar alguém?”
“E se tiver feito alguma coisa terrível?”
E responder através de:
lavagens;
verificações;
rituais;
pedidos de confirmação;
compulsões mentais.
Na bipolaridade, o elemento central são os episódios de humor e energia.
Uma pessoa pode ter pensamentos acelerados durante mania, mas pensamentos acelerados não são o mesmo que obsessões da POC.
Da mesma forma, alguém com POC pode passar horas num ritual e dormir mal devido à ansiedade, mas isso não significa que esteja em mania.
As duas condições também podem coexistir.
Quando existem sintomas sobrepostos, o objectivo da avaliação é perceber qual é a função e o padrão de cada sintoma, em vez de atribuir automaticamente tudo ao primeiro diagnóstico possível.
Transtorno bipolar: qual é a diferença entre transtorno bipolar e personalidade narcísica?
Uma fase de mania pode produzir características que, vistas de fora, parecem personalidade narcísica.
Grandiosidade.
Confiança aparentemente ilimitada.
Sentimento de capacidades extraordinárias.
Comportamento arrogante.
A OMS identifica precisamente uma percepção excessivamente elevada da própria importância ou auto-estima entre os possíveis sintomas de mania.
Mas isto não significa que a pessoa tenha perturbação narcísica da personalidade.
No transtorno bipolar, a grandiosidade surge no contexto de um episódio, acompanhada por outras alterações de energia, sono, actividade, pensamento e comportamento.
Numa perturbação da personalidade, os padrões são avaliados de forma muito mais ampla e longitudinal, incluindo a forma habitual como a pessoa se vê, se relaciona e funciona ao longo do tempo.
Uma pessoa que, fora de um episódio maníaco, não apresenta qualquer padrão persistente de grandiosidade não deve ser rotulada como “narcisista” apenas por aquilo que fez durante mania.
O diagnóstico diferencial exige contexto.
Transtorno bipolar: um episódio maníaco pode parecer apenas confiança excessiva?
Sim.
É por isso que alguns sintomas do transtorno bipolar podem ser inicialmente interpretados de forma positiva.
A pessoa está extraordinariamente confiante.
Tem ideias.
Trabalha até às quatro da manhã.
Começa novos projectos.
Fala de grandes oportunidades.
Os outros podem pensar:
“Está numa fase fantástica.”
O problema aparece quando se observa o conjunto.
Dormir três horas todas as noites sem cansaço.
Falar cada vez mais depressa.
Passar de uma ideia para outra.
Gastar sem controlo.
Fazer investimentos imprudentes.
Assumir riscos sexuais.
Acreditar possuir capacidades irreais.
A Mayo Clinic refere compras excessivas, riscos sexuais e investimentos insensatos entre exemplos de decisões problemáticas que podem surgir em episódios maníacos ou hipomaníacos.
Confiança é:
“Acho que consigo.”
Grandiosidade maníaca pode tornar-se:
“Não existe qualquer possibilidade de eu falhar.”
A diferença pode ter consequências enormes.
Transtorno bipolar: o tratamento do transtorno bipolar funciona?
Sim.
O tratamento do transtorno bipolar pode reduzir sintomas, prevenir novos episódios e permitir maior estabilidade.
Mas é importante ser rigoroso:
o tratamento da perturbação bipolar não é habitualmente apenas psicológico.
A OMS refere que o tratamento eficaz envolve normalmente uma combinação de medicação e intervenções psicológicas e psicossociais, considerando os medicamentos essenciais no tratamento da perturbação bipolar.
A Cleveland Clinic também descreve o tratamento como uma combinação que pode incluir medicamentos e terapia, podendo ser necessário internamento ou tratamento intensivo em determinados episódios.
Isto tem uma consequência prática muito importante.
Uma pessoa que suspeite de um verdadeiro episódio maníaco não deve procurar apenas psicoterapia e assumir que isso é suficiente.
É necessária avaliação médica adequada.
A psicoterapia tem um papel importante.
Mas deve fazer parte de um plano clínico coerente.
Transtorno bipolar: qual é o papel da psicoterapia para transtorno bipolar?
A psicoterapia para transtorno bipolar pode ajudar em várias dimensões que a medicação, sozinha, não resolve.
Por exemplo:
Reconhecer sinais iniciais de um episódio.
Identificar factores desencadeantes.
Manter rotinas de sono.
Gerir stress.
Compreender consequências dos episódios.
Trabalhar relações afectadas pela doença.
Aumentar adesão ao tratamento.
Lidar com vergonha ou culpa depois de episódios.
Desenvolver estratégias para períodos depressivos.
Envolver a família quando apropriado.
A OMS refere que intervenções psicológicas como terapia cognitivo-comportamental, terapia interpessoal e psicoeducação podem reduzir sintomas depressivos e risco de recorrência, e que a psicoeducação familiar pode ajudar familiares a compreender e apoiar melhor a pessoa.
Isto ajuda a perceber a posição correcta da psicoterapia:
Não substitui o tratamento médico necessário.
Complementa-o.
Transtorno bipolar: porque é tão importante o sono?
O sono merece atenção especial no transtorno bipolar.
Durante mania ou hipomania, uma redução significativa da necessidade de dormir pode ser um sinal muito importante.
Não é simplesmente:
“Não consegui dormir.”
É:
“Dormi três horas e estou cheio de energia.”
Por outro lado, alterações persistentes do ritmo de sono podem também contribuir para instabilidade.
A Mayo Clinic recomenda que pessoas diagnosticadas prestem atenção aos sinais precoces e mantenham sono adequado, salientando que perturbações do sono podem favorecer instabilidade bipolar.
Por isso, monitorizar sono e humor pode ser uma ferramenta útil no acompanhamento.
Para algumas pessoas, reconhecer:
“Estou a começar a dormir muito menos e a sentir demasiada energia”
pode permitir procurar ajuda antes de o episódio atingir maior intensidade.
Transtorno bipolar: porque é importante reconhecer os sinais precocemente?
Um dos objectivos do transtorno bipolar tratamento é aprender a reconhecer padrões pessoais.
Os sinais podem variar.
Uma pessoa começa a dormir menos.
Outra começa a gastar.
Outra fala muito mais.
Outra inicia dezenas de projectos.
Outra fica progressivamente irritável.
A Mayo Clinic recomenda prestar atenção aos sinais de alerta e contactar a equipa de saúde quando começam a surgir sintomas de depressão ou mania.
A Cleveland Clinic salienta igualmente que conhecer os próprios sintomas e factores desencadeantes pode ajudar a identificar alterações precocemente e impedir que alguns episódios se prolonguem ou agravem.
O objectivo não é viver permanentemente à procura do próximo episódio.
É conhecer suficientemente bem o padrão para não o reconhecer apenas depois das consequências.
Transtorno bipolar: devo parar o tratamento quando me sinto bem?
Não por decisão própria.
Um dos paradoxos do transtorno bipolar é que o tratamento funciona precisamente para que a pessoa se sinta melhor – e sentir-se melhor pode levar a concluir que já não precisa de tratamento.
“Estou óptimo. Porque continuo a tomar isto?”
Mas estar estável não significa necessariamente que a condição desapareceu.
A OMS refere que algumas pessoas necessitam de tratamento prolongado para prevenir recaídas e que medicamentos e intervenções psicológicas devem ser adaptados às necessidades individuais.
A Mayo Clinic alerta igualmente para não interromper ou reduzir medicação por iniciativa própria, uma vez que os sintomas podem regressar ou agravar-se.
Qualquer alteração farmacológica deve ser discutida com o médico responsável.
Transtorno bipolar: quando devo procurar ajuda profissional?
Procure avaliação se identificar períodos marcadamente diferentes do seu funcionamento habitual que envolvam:
- energia extremamente elevada;
- necessidade invulgarmente reduzida de dormir;
- aceleração do pensamento;
- fala muito rápida;
- impulsividade intensa;
- comportamentos de risco;
- gastos descontrolados;
- grandiosidade;
- irritabilidade extrema;
- períodos depressivos significativos;
- alternância entre episódios depressivos e períodos de energia anormal.
Procure também ajuda se já existe um diagnóstico e sente que os sintomas da perturbação bipolar estão a regressar.
A Mayo Clinic recomenda avaliação profissional perante sintomas de depressão ou mania e recorda que a doença bipolar não tende simplesmente a desaparecer sem tratamento.
Não precisa de chegar à consulta dizendo:
“Tenho transtorno bipolar.”
Pode dizer:
“Há períodos em que pareço uma pessoa completamente diferente.”
Essa história merece ser compreendida.
Transtorno bipolar: quando é necessária ajuda urgente?
Há situações em que o transtorno bipolar exige ajuda urgente.
Nomeadamente quando existe:
- intenção ou plano suicida;
- risco de auto-agressão;
- comportamento perigosamente descontrolado;
- psicose;
- alucinações;
- delírios;
- mania grave;
- incapacidade de garantir a própria segurança ou a segurança de terceiros.
A Cleveland Clinic recomenda atendimento de emergência perante pensamentos ou planos de suicídio, alucinações ou delírios.
A OMS também salienta que tanto episódios maníacos como depressivos podem provocar dificuldades graves e, em determinadas circunstâncias, exigir cuidados especializados para prevenir dano à própria pessoa ou a outros.
Em Portugal, perante uma emergência ou risco imediato, deve ser contactado o 112.
Nestas circunstâncias, uma consulta regular de psicologia não substitui assistência de emergência.

Transtorno bipolar: como a Sua Clínica pode ajudar?
Se tem dúvidas sobre transtorno bipolar, alterações de humor, depressão, impulsividade ou outros sintomas psicológicos, uma avaliação pode ajudá-lo a organizar aquilo que está a acontecer.
Na Sua Clínica, o acompanhamento é centrado em Psicologia e Psicoterapia.
Um psicólogo pode ajudá-lo a:
compreender sintomas e padrões;
reconstruir a história das alterações emocionais;
identificar dificuldades associadas;
trabalhar sintomas depressivos;
gerir stress;
estabelecer rotinas;
reconhecer sinais de alerta;
trabalhar consequências relacionais e emocionais;
desenvolver estratégias psicológicas;
e compreender quando é necessária avaliação por outro profissional de saúde.
Há, contudo, uma distinção importante.
Quando existe suspeita de transtorno bipolar, especialmente mania ou hipomania, a avaliação psicológica não deve ser encarada como substituto da avaliação médica necessária.
A própria OMS considera a medicação um componente essencial do tratamento da perturbação bipolar, associada, quando indicado, a intervenções psicológicas e psicossociais.
Assim, quando a avaliação sugere bipolaridade, o encaminhamento para avaliação médica faz parte de uma prática responsável.
A psicoterapia pode depois integrar o acompanhamento, trabalhando dimensões que continuam a ser fundamentais para viver melhor com a doença.
Transtorno bipolar: não é uma personalidade, nem uma simples mudança de humor
Talvez a ideia mais importante sobre o transtorno bipolar seja esta:
uma pessoa não “é bipolar” no sentido de a doença definir quem ela é.
Tem uma perturbação bipolar.
A diferença não é apenas linguística.
Alguém pode ter episódios de mania em que toma decisões que normalmente nunca tomaria.
Pode atravessar uma depressão em que acredita que nada voltará a melhorar.
Pode depois passar meses ou anos com um funcionamento muito diferente.
O Paris Brain Institute descreve a bipolaridade como uma doença crónica em que podem ocorrer novos episódios ao longo da vida, mas em que o tratamento adequado pode permitir controlar sintomas e alcançar períodos de estabilidade.
A OMS vai mais longe numa mensagem que vale a pena preservar: apesar da recorrência possível dos sintomas, a recuperação é possível, e pessoas com perturbação bipolar podem viver vidas significativas e produtivas com cuidados adequados.
Não é fraqueza.
Não é falta de disciplina.
Não é simplesmente instabilidade.
E também não é um diagnóstico que possa ser estabelecido porque alguém teve três mudanças de humor esta semana.
Transtorno bipolar: o essencial sobre sintomas, diagnóstico e tratamento
O transtorno bipolar, também designado perturbação bipolar ou doença bipolar, é uma perturbação do humor caracterizada por episódios de mania ou hipomania e, frequentemente, episódios depressivos.
No transtorno bipolar tipo I, existe pelo menos um episódio maníaco.
No transtorno bipolar tipo II, existem episódios hipomaníacos e pelo menos um episódio depressivo major, sem história de mania.
Os transtorno bipolar sintomas podem incluir aumento marcante da energia, redução da necessidade de sono, aceleração do pensamento, impulsividade e grandiosidade durante fases maníacas ou hipomaníacas, e tristeza, perda de prazer, fadiga, dificuldades cognitivas e desesperança durante a depressão bipolar.
Mas nenhum destes sintomas isoladamente estabelece o diagnóstico.
PHDA pode envolver impulsividade e distracção.
A perturbação borderline pode envolver instabilidade emocional.
A POC pode produzir pensamentos repetitivos e grande ansiedade.
Uma personalidade narcísica pode incluir grandiosidade.
A semelhança superficial entre sintomas é precisamente a razão para não fazer diagnósticos através de uma checklist.
O que distingue as perturbações é o padrão, duração, contexto, história e funcionamento ao longo do tempo.
O tratamento do transtorno bipolar existe e pode ser eficaz. A abordagem envolve normalmente tratamento médico, frequentemente farmacológico, combinado com intervenções psicológicas e psicossociais. A psicoterapia pode ajudar a reconhecer sinais precoces, gerir stress, estabelecer rotinas, trabalhar sintomas depressivos e lidar com as consequências pessoais e relacionais da doença.
Por isso, se reconhece algumas destas alterações em si ou numa pessoa próxima, a pergunta não precisa de ser:
“Será que sou bipolar?”
Uma pergunta clinicamente mais útil é:
“Estas alterações de humor, energia, sono e comportamento são suficientemente marcadas para merecer uma avaliação profissional?”
Se a resposta for sim, procure ajuda.Na Sua Clínica pode marcar uma consulta de Psicologia para compreender os sintomas, avaliar as dificuldades psicológicas e iniciar psicoterapia quando esta for indicada. Se existir suspeita de perturbação bipolar ou necessidade de avaliação médica, o psicólogo poderá orientar o encaminhamento adequado, integrando o apoio psicológico num plano de cuidados responsável.