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Luto: 8 Sintomas e Ajuda Eficaz para Superar

Luto
Luto: pessoa sentada junto à janela ao fim da tarde, com uma caneca nas mãos, a olhar para o exterior

“Já passaram seis meses. Não devia estar melhor?”

“Há dias em que parece que estou a conseguir seguir em frente e, de repente, volto a sentir tudo.”

“Não consigo deixar de pensar na pessoa que morreu.”

“Desde o divórcio sinto que perdi uma parte da minha vida.”

“Perdi o emprego e parece que perdi também quem eu era.”

“Quanto tempo dura o luto?”

Estas perguntas têm algo em comum: procuram encontrar uma ordem para uma experiência que raramente é ordenada.

O luto é uma resposta humana natural à perda de alguém ou de algo significativo. Pode envolver tristeza profunda, saudade, raiva, culpa, ansiedade, vazio, alterações do sono e até sintomas físicos. Mas não existe uma única maneira correcta de viver uma perda.

A investigação contemporânea sobre a perda afastou-se da ideia de que todas as pessoas têm obrigatoriamente de percorrer uma sequência previsível de etapas. Pelo contrário, há grande variabilidade individual e, para muitas pessoas, a adaptação acontece através de uma oscilação entre momentos em que a perda ocupa quase todo o espaço mental e outros em que a vida quotidiana volta temporariamente ao primeiro plano.

Por isso, superar o luto não significa esquecer.

Significa, pouco a pouco, conseguir integrar a perda numa vida que continua.

Luto: o que é?

Quando alguém pesquisa “o que é o luto”, pensa normalmente na morte de uma pessoa próxima.

Esse é o exemplo mais evidente, mas não é o único.

A Psychology Tools define-o como uma poderosa reacção emocional e física à perda de alguém ou de algo importante. Pode surgir perante a morte de uma pessoa, mas também perante o fim de uma relação, perda de emprego, doença grave ou desaparecimento de um papel importante na vida.

Isto ajuda a compreender por que razão alguém pode sentir um verdadeiro processo de perda depois de um divórcio.

Não morreu uma pessoa.

Mas pode ter desaparecido uma relação, uma rotina, uma casa partilhada, um projecto familiar e uma ideia de futuro.

O mesmo pode acontecer quando alguém perde um emprego que estruturava a sua identidade há vinte anos.

Ou recebe um diagnóstico que obriga a abandonar actividades, autonomia ou expectativas que considerava garantidas.

O objecto da perda muda.

O processo psicológico de adaptação pode continuar a existir.

Porque uma perda pode significar muitas perdas ao mesmo tempo?

Uma das características mais importantes do processo de luto é que raramente perdemos apenas uma coisa.

Quando morre um companheiro, por exemplo, não desaparece apenas a presença física daquela pessoa.

Pode desaparecer também quem preparava o jantar.

Quem acompanhava nas viagens.

Quem partilhava decisões financeiras.

Quem conhecia determinadas histórias.

Quem fazia parte dos planos para a reforma.

Quem estaria presente no próximo Natal.

A Psychology Tools chama a atenção precisamente para estas “perdas dentro da perda”: além da pessoa, podem desaparecer uma vida partilhada, um futuro imaginado, funções quotidianas e uma identidade construída em conjunto.

Isto ajuda a explicar por que razão determinadas situações voltam a activar a dor meses ou anos depois.

O primeiro aniversário.

O primeiro Natal.

Uma música.

Uma viagem.

O nascimento de um neto.

A emoção não significa necessariamente que a pessoa “voltou ao princípio”.

Significa que encontrou uma nova dimensão daquilo que perdeu.

Luto em ondas: ondas suaves a chegar a uma praia ao nascer do dia, com luz dourada na água
No luto, a dor pode chegar em ondas: intensas no início, mais espaçadas com o tempo.

Luto: quais são os sintomas?

Os sintomas do luto podem afectar emoções, pensamentos, comportamento e corpo.

Entre os sintomas mais frequentes encontram-se:

  • tristeza profunda;
  • saudade;
  • raiva;
  • culpa;
  • alívio;
  • ansiedade;
  • entorpecimento emocional;
  • dificuldade em acreditar que a perda aconteceu.

Há pessoas que choram frequentemente.

Outras quase não choram.

Algumas precisam de falar constantemente da pessoa perdida.

Outras precisam de silêncio.

Também pode provocar dificuldades de concentração, alterações do sono, redução do apetite, sensação de vazio e sintomas físicos. A Psychology Tools refere que a pessoa pode sentir-se fisicamente doente, ter dificuldade em comer ou dormir e experimentar emoções que surgem em ondas.

Não existe uma emoção obrigatória.

E há uma ideia que pode parecer estranha:

também é possível sentir alívio.

Se alguém acompanhou durante anos uma pessoa com doença grave, pode existir sofrimento pela morte e simultaneamente alívio por ter terminado um período de sofrimento ou de enorme exigência.

Uma emoção não invalida a outra.

A experiência raramente é psicologicamente simples.

Porque a dor da perda parece chegar em ondas?

Uma metáfora particularmente útil é pensar no luto como ondas.

Nos primeiros tempos, as ondas podem ser enormes e quase contínuas.

A pessoa mal recuperou de uma quando chega outra.

Com o tempo, as ondas podem começar a afastar-se.

Não desaparecem necessariamente.

Tornam-se menos frequentes ou menos avassaladoras.

A Psychology Tools descreve exactamente este padrão: inicialmente, as ondas podem ser intensas e próximas umas das outras; mais tarde, tendem a tornar-se mais espaçadas e manejáveis. Uma memória ou acontecimento significativo pode voltar a desencadear uma onda mesmo anos depois.

Isto explica por que razão alguém pode estar relativamente bem durante duas semanas e depois passar um dia inteiro profundamente triste.

Não significa necessariamente regressão.

O processo não é linear.

Luto: quais são as fases?

As famosas fases do luto – negação, raiva, negociação, depressão e aceitação – tornaram-se uma das explicações mais populares sobre perda.

Podem ser úteis como linguagem para descrever algumas experiências.

O problema começa quando são transformadas numa espécie de itinerário obrigatório:

negação → raiva → negociação → depressão → aceitação.

A investigação não sustenta essa rigidez.

A investigação científica considera o modelo tradicional das cinco fases inadequado para representar a forma como a maioria das pessoas se adapta à perda. A investigação contemporânea dá maior importância a modelos que reconhecem diversidade e oscilação.

A própria APA salienta que não devemos esperar que todas as pessoas atravessem fases progressivas.

Uma pessoa pode sentir aceitação numa manhã.

Raiva à tarde.

Saudade no dia seguinte.

Passar uma semana relativamente tranquila.

E voltar a chorar numa data importante.

Não existe qualquer obrigação de “voltar” à fase anterior porque, na realidade, provavelmente nunca existiu uma escada.

Como funciona verdadeiramente o processo de adaptação à perda?

Um dos modelos mais interessantes para compreender este processo é o chamado modelo de processo dual.

Em vez de imaginar uma sequência de fases, propõe que a pessoa oscila entre dois tipos de exigências.

Em determinados momentos, está voltada para a perda:

  • sente saudade;
  • recorda a pessoa;
  • chora;
  • pensa na morte;
  • confronta a ausência.

Noutros momentos, está voltada para a restauração da vida:

  • resolve questões práticas;
  • assume novas responsabilidades;
  • volta ao trabalho;
  • aprende tarefas que a outra pessoa fazia;
  • reorganiza relações;
  • começa a imaginar o futuro.

A investigação sobre o modelo de processo dual descreve precisamente esta oscilação entre factores relacionados com a perda e factores relacionados com reconstrução e novas identidades.

Talvez numa manhã esteja a escolher documentos para tratar de uma herança.

À tarde ri-se com um amigo.

Depois sente culpa porque riu.

À noite sente saudade.

Tudo isto pode fazer parte do mesmo processo.

A adaptação não exige estar constantemente triste para provar que amava a pessoa.

Luto: quanto tempo dura?

A pergunta “quanto tempo dura o luto” é natural.

Queremos saber quando vai acabar.

Mas não existe um calendário universal.

A APA afirma claramente que não existe um período “normal” único para viver a perda. Para muitas pessoas, a intensidade diminui ao longo dos meses e a adaptação acontece com tempo, apoio social e manutenção de rotinas saudáveis.

Isto não significa que tudo termine num determinado aniversário.

Nem que ao fim de um ano seja suposto:

“Já ter ultrapassado.”

Há uma diferença importante entre continuar a sentir a perda e continuar incapaz de funcionar devido à perda.

Uma pessoa pode sentir enorme saudade do companheiro dez anos depois e, ao mesmo tempo, ter reconstruído relações, interesses, rotinas e projectos.

Isso não significa necessariamente que seja patológico.

A presença da saudade não é, por si só, doença.

Luto e ausência: cadeirão vazio junto à janela, com uma manta dobrada e uma planta numa sala luminosa
Quando alguém morre, desaparecem também rotinas, planos e uma vida partilhada: são as “perdas dentro da perda”.

Luto: como superar sem esquecer quem se perdeu?

A expressão “como superar o luto” pode ser enganadora se entendermos superar como apagar.

Não é necessário esquecer para recuperar.

Nem deixar de amar.

Nem eliminar toda a tristeza.

O processo pode ser mais bem descrito como integrar a perda.

A vida passa a incluir o facto de aquela pessoa ter existido e de já não estar fisicamente presente.

A APA sugere algumas estratégias gerais que podem ajudar: falar sobre a morte, aceitar diferentes emoções, cuidar da própria saúde, apoiar outras pessoas que também sofreram perdas, recordar e celebrar a vida da pessoa que morreu e procurar apoio profissional se o sofrimento se mantiver intenso.

Por vezes, a mudança mais importante não é conseguir dizer:

“Já não dói.”

É conseguir dizer:

“Ainda dói, mas já consigo viver para além da dor.”

Luto: como lidar com a perda no dia-a-dia?

A pergunta “como lidar com o luto” não tem uma única resposta porque pessoas diferentes precisam de coisas diferentes.

Há quem precise de falar muito.

Há quem precise de períodos de silêncio.

Há quem encontre apoio na família.

Outros em amigos, religião, grupos ou acompanhamento psicológico.

O importante é evitar transformar uma recomendação numa obrigação.

“Tem de sair.”

“Tem de falar.”

“Tem de ocupar a cabeça.”

“Tem de seguir em frente.”

Nem sempre ajuda.

O HelpGuide sublinha a importância de respeitar o próprio processo, procurar contacto social, cuidar do corpo e permitir emoções sem exigir uma recuperação imediata.

Uma pergunta mais útil pode ser:

“O que preciso hoje para atravessar este dia?”

Nem sempre é necessário resolver o resto da vida.

Luto: que tipos existem?

Existem várias formas de descrever tipos de luto, embora nem todas correspondam a diagnósticos clínicos.

Pode falar-se em luto antecipatório, por exemplo, quando a perda começa a ser emocionalmente processada antes de uma morte previsível, como perante uma doença terminal.

Pode existir sofrimento associado a morte súbita ou traumática.

Pode existir luto não reconhecido socialmente, quando a sociedade não valida suficientemente aquela perda.

Também existem perdas ambíguas, nas quais não existe uma separação clara ou encerramento.

Mas convém não transformar estas categorias em caixas rígidas.

São formas de compreender diferentes circunstâncias.

A perda de um filho não é psicologicamente equivalente à morte de um conhecido.

Uma morte súbita pode exigir uma adaptação diferente da morte após uma longa doença.

E a ausência de apoio social pode tornar o processo muito mais difícil.

Existe luto depois de separação ou divórcio?

Sim.

Embora bereavement, no sentido clínico estrito, se refira à perda por morte, as pessoas podem viver processos semelhantes perante outras perdas significativas.

A Psychology Tools inclui explicitamente o fim de uma relação entre as experiências capazes de provocar este processo. O HelpGuide inclui igualmente divórcio e ruptura amorosa entre fontes comuns de perda.

Num divórcio, pode existir luto pela pessoa.

Mas também pela casa.

Pela rotina.

Pelo círculo social.

Pelos projectos.

Pela família como tinha sido imaginada.

E pela versão de futuro que já não vai acontecer.

Dizer:

“Mas ninguém morreu”

pode diminuir uma perda real.

O organismo psicológico não responde apenas a mortes.

Responde também ao desaparecimento de vínculos, papéis e futuros significativos.

Pode existir luto por problemas no trabalho ou perda de emprego?

Também.

A perda de emprego é reconhecida como uma possível fonte de luto.

Isto torna-se especialmente compreensível quando o trabalho ocupava um papel central na identidade.

“Sou médico.”

“Sou director desta empresa.”

“Trabalho aqui há trinta anos.”

Subitamente:

“Já não sou.”

A pessoa pode não perder apenas rendimento.

Pode perder estrutura diária.

Contacto social.

Prestígio.

Sentido de competência.

Rotina.

Identidade.

Os problemas no trabalho não constituem automaticamente luto. Stress profissional, burnout e conflito laboral são fenómenos diferentes.

Mas quando existe uma perda concreta – emprego, carreira, estatuto, projecto profissional ou capacidade para exercer determinada profissão – pode existir um verdadeiro processo psicológico de adaptação à perda.

As mudanças de vida também podem provocar uma perda?

Sim.

Algumas mudanças são desejadas e ainda assim implicam perdas.

Reformar-se pode significar liberdade e simultaneamente perda de identidade profissional.

Mudar de país pode representar oportunidade e também perda de comunidade, língua quotidiana e proximidade familiar.

Vender a casa onde os filhos cresceram pode ser uma boa decisão financeira e ainda assim provocar tristeza.

Um diagnóstico pode significar perder uma ideia de futuro.

O HelpGuide inclui entre as fontes de sofrimento a perda de saúde, emprego, estabilidade financeira, reforma, sonhos importantes e até a venda da casa familiar.

Podemos estar satisfeitos com uma mudança e sentir luto pelo que ficou para trás.

As duas experiências não são incompatíveis.

Luto por outras perdas: pessoa sentada no chão de uma sala com caixas de mudança, a olhar pela janela
O luto não surge apenas com a morte: também pode acompanhar um divórcio, uma perda de emprego ou uma mudança de vida.

Luto: qual é a diferença entre normal e complicado?

A expressão “luto normal” deve ser usada com prudência porque existe enorme variabilidade.

Para a maioria das pessoas, o sofrimento tende a tornar-se gradualmente mais integrável e o funcionamento vai recuperando.

Mas algumas pessoas ficam presas num sofrimento intenso que não diminui de forma esperada e compromete significativamente a vida.

Historicamente, isso foi descrito como luto complicado, patológico ou outras designações.

Actualmente existe um diagnóstico formal chamado Perturbação de Luto Prolongado.

A Psychology Tools distingue o processo habitual das situações em que o sofrimento permanece muito intenso, persistente e incapacitante.

A APA também refere que algumas pessoas enfrentam sofrimento severo durante períodos prolongados e podem beneficiar de apoio especializado.

A distinção não deve ser feita apenas com um cronómetro.

Conta a intensidade.

O funcionamento.

O contexto cultural.

E a forma como a pessoa está, ou não, a conseguir reintegrar-se na vida.

Luto: o que é a perturbação de luto prolongado?

A Perturbação de Luto Prolongado é actualmente um diagnóstico reconhecido no DSM-5-TR.

Aqui é importante distinguir o uso amplo da palavra “luto” do diagnóstico formal.

O diagnóstico aplica-se após a morte de uma pessoa próxima. No DSM-5-TR, os sintomas graves devem persistir pelo menos 12 meses nos adultos e seis meses nas crianças e adolescentes, provocar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento e exceder aquilo que seria esperado tendo em conta normas sociais, culturais ou religiosas.

Pode existir desejo ou saudade intensos e persistentes da pessoa que morreu, preocupação constante com ela, dificuldade em aceitar a morte, dor emocional intensa, entorpecimento, dificuldade em reconstruir a vida, sensação de que a vida perdeu sentido ou solidão intensa.

Isto é diferente de dizer:

“Já passou um ano, portanto agora é patológico.”

Não.

O tempo é apenas uma das condições.

É necessária uma avaliação clínica do conjunto dos sintomas e do funcionamento.

Luto patológico: ainda se deve usar esta expressão?

A expressão “luto patológico” continua a aparecer em pesquisas e em textos mais antigos.

Também se utilizaram termos como luto complicado, crónico ou traumático.

Actualmente, quando estão preenchidos os critérios diagnósticos formais, a designação diagnóstica actual é mais precisa.

Uma revisão científica recente mostra precisamente como a literatura utilizou ao longo do tempo expressões diferentes – complicado, patológico, prolongado, crónico ou traumático – até à consolidação mais recente do diagnóstico actual.

Estes termos continuam a ser muito pesquisados, por isso é útil conhecê-los.

Clinicamente, convém explicar a terminologia actual.

Luto e depressão: qual é a diferença?

Os dois quadros podem partilhar características.

Ambos podem envolver tristeza.

Cansaço.

Alterações do sono.

Dificuldade de concentração.

Perda de interesse.

Mas não são a mesma experiência.

Nesta experiência, as emoções tendem frequentemente a relacionar-se directamente com a perda e podem surgir em ondas. É possível sentir tristeza profunda e, noutro momento, experimentar ligação, prazer ou uma memória positiva.

A investigação também consegue distinguir clinicamente as duas experiências, e a literatura científica salienta que a adaptação à perda não deve ser automaticamente tratada como uma perturbação depressiva.

Naturalmente, uma pessoa em luto pode também desenvolver depressão.

Uma condição não exclui a outra.

Se existir perda persistente de prazer, desesperança marcada, sentimentos generalizados de inutilidade ou ideação suicida, é particularmente importante procurar avaliação profissional.

Luto e ansiedade: qual é a relação?

A ansiedade também pode coexistir com este processo.

Depois de perder uma pessoa próxima, o mundo pode parecer menos previsível.

Se alguém morreu inesperadamente, pode aparecer:

“Se aconteceu a ele, também pode acontecer a qualquer momento.”

Pode surgir ansiedade com a própria saúde.

Medo de perder outras pessoas.

Dificuldade em dormir.

Hipervigilância.

Preocupação com o futuro.

A investigação sobre a perda refere ansiedade, raiva, tristeza, entorpecimento emocional e dificuldades de concentração, sono e apetite entre as respostas observadas na fase aguda.

Sentir ansiedade depois de uma perda não significa automaticamente desenvolver uma perturbação de ansiedade.

Mas se a ansiedade se torna persistente e começa a limitar a vida, merece avaliação.

Luto: é preciso fazer terapia?

Não necessariamente.

Isto é muito importante.

O luto não é uma doença que todas as pessoas tenham de tratar.

A APA refere que muitas pessoas conseguem adaptar-se à perda ao longo do tempo com apoio social e estratégias saudáveis, sem necessidade de intervenção profissional formal.

A terapia não deve patologizar uma reacção humana normal.

Não há nada de clinicamente errado em chorar porque alguém morreu.

Nem em sentir saudades.

Nem em passar períodos mais difíceis.

O apoio psicológico no luto torna-se particularmente relevante quando a pessoa sente que não consegue avançar, o sofrimento é muito intenso, há grande impacto no funcionamento ou existem outras dificuldades psicológicas associadas.

O objectivo da terapia não é apagar a memória da pessoa que morreu.

É ajudar a encontrar uma forma de continuar a viver com essa memória.

Como funciona a terapia para o luto?

A terapia depende da pessoa e da natureza da perda.

Pode existir espaço para contar a história.

Explorar emoções.

Trabalhar culpa.

Compreender questões que ficaram por resolver.

Adaptar-se a novos papéis.

Reconstruir rotinas.

Trabalhar evitamentos.

Reconectar-se com pessoas e actividades.

Ou ajudar a construir um futuro que já não corresponde ao que tinha sido imaginado.

Quando o sofrimento é prolongado e incapacitante, existem intervenções psicoterapêuticas específicas e investigação crescente sobre os tratamentos mais eficazes. Revisões contemporâneas mostram apoio para intervenções psicológicas dirigidas especificamente aos mecanismos desse sofrimento.

Mas terapia não significa acelerar artificialmente o processo.

O psicólogo não estabelece uma data para “terminar” o processo.

A pessoa precisa de espaço para se adaptar.

Não de uma ordem para esquecer.

Luto e terapia: psicóloga a ouvir uma pessoa numa sessão de apoio psicológico
O objectivo da terapia no luto não é apagar a memória, mas encontrar uma forma de continuar a viver com ela.

Luto: quando procurar psicólogo?

A pergunta “quando procurar psicólogo no luto” não tem uma resposta única.

Pode ser útil procurar ajuda quando o sofrimento parece impossível de gerir sozinho, quando o funcionamento diário permanece profundamente afectado ou quando a pessoa sente que ficou presa ao acontecimento.

Alguns sinais que justificam atenção incluem sofrimento persistentemente muito intenso, isolamento significativo, incapacidade prolongada de retomar actividades importantes, evitamento extremo de tudo o que recorda a perda, culpa incapacitante, sensação persistente de que a vida perdeu qualquer sentido ou agravamento marcado de ansiedade ou depressão.

A APA recomenda considerar apoio profissional quando o sofrimento grave se prolonga e interfere com as actividades quotidianas.

Não é necessário esperar até atingir critérios para uma perturbação.

Pode procurar um psicólogo simplesmente porque atravessar aquele período sozinho está a ser demasiado difícil.

Quando é necessária ajuda urgente?

Uma perda pode aumentar enormemente o sofrimento psicológico.

Se surgirem pensamentos como:

“Não vale a pena continuar.”

“Quero morrer para estar com aquela pessoa.”

“Vou fazer alguma coisa contra mim.”

a situação deve ser avaliada com seriedade.

Pensar ocasionalmente na própria mortalidade durante uma perda não é necessariamente igual a intenção suicida.

Mas intenção de suicídio, plano de auto-agressão ou incapacidade de garantir a própria segurança exigem ajuda urgente.

Em Portugal, numa emergência, contacte o 112.

Primeiro garante-se a segurança.

O acompanhamento continua depois.

Luto: como a Sua Clínica pode ajudar?

A Sua Clínica apresenta actualmente o luto como um dos seus motivos específicos de consulta e descreve-o como uma resposta natural a uma perda significativa, sublinhando que não existe um prazo ou uma forma única de o viver. O acompanhamento procura oferecer um espaço para atravessar a perda e reorganizar a vida em torno daquilo que aconteceu.

A página dedicada a este tema identifica psicólogos da equipa que trabalham este motivo de consulta, incluindo Catarina Moço, Gracinda Santos, Liliana Rocha, Nelson Valente e Cátia Pinto.

Neste momento, as consultas estão disponíveis online por videochamada, enquanto decorrem as obras da clínica de Cascais. A opção presencial ficará disponível após a reabertura do espaço.

Se não souber que profissional escolher, pode também falar com a Sofia, a assistente virtual da Sua Clínica, explicar com as suas próprias palavras aquilo que está a acontecer e receber ajuda para encontrar um psicólogo adequado e efectuar a marcação. A Sofia facilita o encaminhamento e a marcação; não substitui avaliação nem acompanhamento psicológico profissional.

Luto: o essencial sobre perda, adaptação e acompanhamento psicológico

O luto é uma resposta natural à perda.

Pode surgir perante a morte de alguém.

Mas também perante uma separação, divórcio, perda de emprego, doença, mudança profunda de vida ou desaparecimento de algo que fazia parte da nossa identidade e futuro.

Pode trazer tristeza.

Saudade.

Raiva.

Culpa.

Ansiedade.

Vazio.

Alterações do sono.

Cansaço.

Dificuldade de concentração.

Pode haver dias relativamente bons seguidos de uma onda inesperada de sofrimento.

Isso não significa necessariamente que o processo esteja a correr mal.

As fases do luto podem servir como metáfora para algumas experiências, mas não constituem uma sequência obrigatória. A investigação contemporânea mostra que existem trajectórias muito diferentes e que a adaptação saudável pode envolver oscilar entre confrontar a perda e reconstruir a vida.

Também não existe uma resposta universal para o tempo que a dor demora a atenuar-se.

A dor não obedece ao calendário.

O que interessa é observar se, com o tempo, a pessoa começa a conseguir voltar a participar na vida, mesmo continuando a sentir saudade.

Em alguns casos, porém, o sofrimento mantém-se intenso e incapacitante. Quando determinados critérios estão presentes após a morte de uma pessoa próxima, pode existir Perturbação de Luto Prolongado, um diagnóstico actualmente reconhecido no DSM-5-TR.

Procurar apoio psicológico não significa que esteja a viver incorrectamente a perda.

Nem significa que precisa de “esquecer”.

Às vezes significa apenas que a perda é demasiado pesada para transportar sozinho.

Talvez, por isso, a pergunta mais útil não seja:

“Quando vou deixar de sentir isto?”

Pode ser:

“Como posso voltar a construir uma vida que inclua aquilo que perdi, sem ficar permanentemente preso à perda?”

Se a perda está a afectar profundamente o seu sono, trabalho, relações ou capacidade para continuar a vida quotidiana, pode procurar um psicólogo para luto na Sua Clínica e iniciar acompanhamento psicológico.

Superar uma perda não significa apagar a história.Significa conseguir continuar a escrevê-la.